União Zoófila e Associação Zoófila Portuguesa


TORNE-SE SÓCIO; ADOPTE OU APADRINHE UM ANIMAL; FAÇA VOLUNTARIADO!ESCOLHA...UM PEQUENO GESTO FAZ TODA A DIFERENÇA!

Vancouver Olympic Shame: Learn more. Por favor AJUDE a cessar este massacre infame! Please HELP stopping this nounsense slaughter! SIGN

http://www.kintera.org/c.nvI0IgN0JwE/b.2610611/k.CB6C/Save_the_Seals_Take_Action_to_End_the_Seal_Hunt/siteapps/advocacy/ActionItem.aspx

http://getactive.peta.org/campaign/seal_hunt_09?c=posecaal09&source=poshecal09

Ser Enfermeiro...

Wednesday, May 25, 2011

Aquela "entrega" no turno

Recentemente tive um turno de tarde dificílimo! Serviço a abarrotar,clientes a virem do bloco em rajada, clientes que não ouviam os conselhos de enfermagem e sofriam as consequências físicas da suas escolhas mas e que só geravam maior necessidade de cuidados e descompensações noutros que geravam um constante replaneamento de cuidados a um ritmo alucinante. No meio desta confusão havia uma Sra. bastante apelativa que se encontrava internada para realizar Gamma Knife ( o "tratamento Gamma Knife, também conhecido como radiocirurgia estereotáxica, é um método não invasivo para tratar lesões no cérebro, cabeça e pescoço. Consiste na aplicação única de uma alta dose de radiação a pequenos volumes de tecidos em localizações críticas. Esta aplicação é feita sem qualquer incisão na pele ou caixa craniana.").

Durante todo o turno procurou-me e massacrou-me com perguntas, receios, períodos de labilidade emocional. Daquelas pessoas que mesmo acompanhadas de familiares quando mais as tranquilizamos ou estamos presentes, mais pedem a nossa presença. Estava constantemente a referir dores, mal estar e angústia elevadas que originou um quadro hipertensivo e hiperglicémico porque ainda foi ingerir alimentos calóricos do domicílio e fumar às escondidas (era diabética mas mesmo sendo medicada no domicílio não sabia que o era). Ou seja, a este nível mais emocional, ambiental e farmacológico e interdisciplinar com o serviço de Gamma Knife tive um mundo de intervenções. Pelo meio ainda arranjou maneira de exteriorizar a via e partir um sistema de soro porque não via bem e verbalizar receios "ridículos" como o de que os srs. da operação fossem embora e ela não fosse intervencionada naquela tarde como estava programada v duvidando da minha palavra e intervenções vezes e vezes sem conta. E ainda robou-me a máquina de BM o que me colocou a mim e a mais dois profissionais a procurá-la por todo o serviço!

Além disto, tinha receios de criança e quando inquiri a família fiquei a saber que tinha antecedentes a nível de saúde mental. Apesar de tudo, parte das minhas intervenções foram bem sucedidas e no fim do dia ao deitar-se disse-me e apercebi-me que a intervenção e o internamento foram menos pesadas emocionalmente devido à minha presença e cuidados. mas foi daqueles utentes que me transformou um inferno de turno num muito pior. Mas apesar de tudo, de ter sido bastante duro até para prestar cuidados a outros clientes e ter-me feito chegar a casa duas horas atrasado, dei o meu melhor e estive o máximo presente quando outros não lhe deram tanta atenção. Além dos antecedentes da Sra, apercebi-me que era bastante humilde, o primeiro internamento, de uma zona rural e a sensação de ter um quadro esterotáxico na cabeça foi emocionalmente insuportável para alguém que não era obviamente emocionalmente estável por avaliação presencial e segundo a família.

Por vezes é impossível conseguir cuidar verdadeiramente de pessoas tão apelativas e com necessidades específicas devido ao excesso de trabalho e falta de tempo. A rotina, o cansaço, a pressão e outros factores pessoais externos ou internos tendem durante toda a vida laboral a esquecermo-nos ou a impossibilitar-nos de observar a pessoa e estabelecer com ela uma verdadeira relação terapêutica. Nunca sabemos quando uma pessoa está num mau momento pessoal, familiar ou de qualquer outra natureza e muitas vezes temos tendência a não ter paciência ou a abertura necessária. Todos temos dias maus e em contextos dificílimos por vezes é impossível ter tempo para prestar cuidados de qualidade.

Contudo, quando conseguimos fazer a diferença como no caso desta Sra. é realizante. Vale muito ou tudo do que passamos, ou pelo menos dá-nos algo de muito positivo que sentir, pensar e guardar ao fim do dia. Com experiências várias durante dias, contactando e aliviando o sofrimento do Outro, vamos crescendo e aprendendo a perspectivar a vida, os pequenos aspectos da mesma, o Outro e a interacção com os mesmo de maneira diferente.

Cupido

Recentemente fiz turno num fim-de-semana. Serviço meio vazio, ritmo de trabalho baixo, muito tempo para a comunicação terapêutica com os utentes. Já quase no fim do horário fui à UCI buscar uma menina de 16 anos bonita,loura e simpática que havia sido submetida a uma apendicectomia de urgência. Tratei de a tranquilizar, dar-lhe as informações básicas, contactar os pais a avisá-los e promover o bem-estar através de várias intervenções, fora as inerentes à vertente física.

Com o decorrer do tempo vieram os pais das Urgências e mais tarde uma carrada de amigos da menina tipicamente "teenagers à morangos", o que motivou uns sorrisos a mim e à minha colega de turno. Já no fim deste os pais despediram-se e saíram, indo a qualquer lado, seguido mais tarde pelos amigos, ficando um no quarto. Antes da passagem de turno desloco-me então ao quarto para mudar um soro. Bati à porta e esta abriu-se (estava mal fechada) e quando lá entro surpreendo a doente e o rapaz prestes a beijaram-se! Atrapalhados com a situação, ficaram envergonhados. Optando por não os atrapalhar mais, procedi à intervenção rapidamente e deixei-os sozinhos. Passado um quarto de hora estava no corredor a preparar terapêutica quando o mesmo rapaz sai do quarto cabisbaixo. Ao passar por mim perguntei-lhe se ele não estava bem, se não tinha corrido bem, ao que me respondeu que era o primeiro beijo e que tinha perdido a coragem. Dei-lhe uma palavra de conforto ao estilo "fala na boa com um jovem" e convenci-o a esperar um minuto, desloquei-me a outro quarto onde uma sra. muito simpática tinha um belo ramo de rosas e convenci-a a dar-me uma. Dito e feito, entreguei uma ao rapaz e encorajei-o a voltar junto da menina.

O rapaz ganhou força e lá foi. Entretanto acabei de preparar e administrar a terapêutica e comecei a passar o turno coma porta da sala de enfermagem aberta. E não é que o rapaz passou pelo corredor sem rosa, um grande sorriso e fez-me um sinal de "fixe" a piscar o olho?

Interpretações à parte, parece-me que de um dia péssimo de hospitalização ajudei a nascer um namoro!


Vida

Recentemente vi este vídeo que adorei.Transmite mensagens e verdades de senso comum mas que sempre são boas de recordar.

Ao vê-lo lembrei-me de muitos esforços que faço na prática clínica em condições difíceis por falta de tempo, excesso de trabalho, etc e que fazem um sorriso, o bem-estar ou a diferença a outros; dos esforços e dificuldades familiares que se têm atravessado na vida; das dificuldades pessoais e vitórias laborais e académicas atingidas; das amizades e amores construídos; de muitas fases más em que tudo o de bom que partilhei deixou algo de bom para o futuro ou fez alguma diferença nesse presente.

Lembrei-me de muitos maus momentos desde a adolescência passados e de como os ultrapassei, uns sozinhos, outros acompanhado; de muitos bons momentos, de muitas vitórias, experiências, descobertas, de Viver!Dos exames passados, curso, emprego e também vitórias de familiares, amigos e outros que ajudei a concretizar. De viagens e muitas descobertas! Lembrei-me também de alguns aspectos na vida que rotineiramente esquecemos mas que se perspectivarmos e valorizarmos nos dão melhor qualidade ao dia-a-dia!

Lembrei-me de como é bom partilhar com quem amamos - familiares, namorados, amigos- vizinhos e estranhos. Infelizmente e cinicamente (dada a natureza do filme) da partilha deste vídeo nasceu um momento muito difícil para mim. Mas a mensagem é universal para tudo, está presente em cada um de nós consciente e inconscientemente no dia a dia e sendo que somos seres multi-dimensionais a força, entrega, alegria,bem-estar aplica-se e advém de muito! Deste modo, partilho-o com todos vós:)


Sunday, May 8, 2011

Thursday, May 5, 2011

"Look up at the stars"

"Look up at the stars, Portugal" é uma filme genial de Matthew Brown. Transmite-nos a vida e a beleza da mesma em Lisboa e arredores. Uma obra que nos faz reviver experiências, sentimentos,emoções e mergulhar na paixão de partilhar muito mais com muitas pessoas.É caso para te dizer "look up at the stars", a começarmos por Alfama!

Look Up at the Stars, Portugal! from Matthew Brown on Vimeo.


One, remember to look up at the stars, and not down on your feet.

Two, never give up work. Work gives you meaning and purpose and life is empty without it.

Three, if you are lucky enough to find love, remember it is rare, and don’t throw it away.



Tuesday, May 3, 2011

Dança dos Pássaros

Em tempo de cansaço partilho novamente e após tanto tempo "Dança dos Pássaros". Sabe bem voltar a escutá-la!

Monday, May 2, 2011

Step by Step...

Explosivos 11/9

No dia em que Bin Laden abre os noticiários numa história muito duvidosa (para variar) deixo-vos uma entrevista referente a um artigo científico mundialmente discutido desde 2009:

Saturday, April 30, 2011

Beauty in the world!



I know you’re fed up
Like a lead up for us
All they talk about is
What is going down?
What’s been messed up for us?
When I look around I see blue skies
I see butterflies for us

Listen to the sound and lose it
Its sweet music and dance with me
There is beauty in the world
So much beauty in the world
Always beauty in the world
So much beauty in the world
Shake your booty boys and girls for the beauty in the world
Pick your diamond pick your pearl there is beauty in the world
All together now

We need more lovin’
We need more money, they say
Change is gonna come
Like the weather
They say forever
They say
When they’re in between
Notice the blue skies
Notice the butterflies
Notice me

Stop and smell the flowers
And lose it the sweet music and dance with me
There is beauty in the world
So much beauty in the world
Always beauty in the world
There is beauty in the world
Shake your booty boys and girls for the beauty in the world
Pick your diamond pick your pearl there is beauty in the world
All together now

Heya throw your hands up and holla
Throw your hands up and holla
When you don’t know what to do
Don’t know if you’ll make it through
Remember god is giving you beauty in the world
So love (Beauty in the world)
Yeah love (Beauty in the world)

There is beauty in the world (Beauty in the world)
Beauty in the world (Beauty in the world)
Shake your booty boys and girls (Boys and Girls)
All the beauty in the world (Beauty in the world)
Pick your diamond pick your pearl (Pick your pearl)
There is beauty in the world (Beauty in the world)
All together now
Yeah love
Yeah love
Oh love
All together now

Hey baby when I’m looking at you
I know it’s fact is true
There is hope for love
There is beauty in the world
Hey baby
Hey baby when I’m looking at you
I know this vibe is true
There’s love
There’s hope for love
There’s beauty in the world

St.Kitts

Hoje deixo-vos a incrível história dos macacos alcoólicos das Caraíbas.

Vidas

Por vezes é preciso cansar, desesperar, chorar, exasperar, ter esperança, ver, reflectir, constatar. Para uns é entrega, para outros lutar, para muitos é ser-se o "seguro" de alguém. Para uns é ser-se cobarde, para outros corajoso. A verdade é que apenas um duo sabe o que se passa e, dentro deste, cada um sabe o que se passa consigo. E também é verdade que há quem veja mais as necessidades imediatas satisfeitas e outro não e quem se sujeite a cair mais, apenas porque é forte para lutar e porque a dignidade não se resume apenas ao não se mostrar dependente em qualquer contexto como a maioria das pessoas define, mas também ao estar com o outro e acreditar que é possível passar tudo juntos, especialmente quando vê esperança, luta e entrega do outro lado e se sente orgulho e apreço no outro. A vida é madrasta e é nos maus momentos que se vê a essência de cada um, os seus valores, sentimento, objectivos e sonhos.

Como uma vez aqui escrevi há muito tempo "dou de mais. E para isso é necessária uma coragem que não reside em todos!Faz parte de um ideal que será apreciado por alguém. Que compreenda que "tudo o que aqui tenho" para ti desde há muito tempo é não um fardo ou um peso, mas uma alegria, porque não me retira o querer viver."

Felizmente encontrei quem o apreciasse e quem o merecesse. Mas o sofrimento envolvido em determinadas situações, a luta entre a razão e o coração e até a pressão social contribui para momentos difíceis que só eu consigo descrever. Quem entrou numa nova etapa da vida e quem viu ser mudado muito do que tinha fui eu. Negá-lo é ser hipócrita ou utópico. Mas no dia a dia as recordações espontâneas, as vivências e os sentimentos e significados que retiramos delas dão-me a força para a entrega e para me encontrar com o que sempre senti, as coisas boas são o que ficam e o que movem.

Recordo outro texto passado:

"Não sei o que escrever, ou melhor sei, mas não o quero fazer. Apetece-me só divagar ou aglomerar palavras. Para quê dar-me a mais algum trabalho a esta hora e nestas condições? têm sido tempos difíceis e o que aí vem poderá ser ou não pior. Uma coisa é certa, passa por mim. Se pensar 10 seg. conto logo 20 variáveis que minam o meu Presente e tornam o futuro incerto e perigoso. Uma linda teia em que somos simultaneamente caçador e presa. Porque qualquer peça que mova influencia outra. Há momentos melhores? Há. E bem mais. Há momentos piores?Há.Não faço a mínima ideia quantos. Há razão para me preocupar? Há, referente a alguns casos. Talvez noutros. Ou será absurdo em terceiros. Não sei mas agora que o dia já vai tão longo dá-me vontade de rir. Parece-me momentaneamente absurdo que me foque neste pólo de acontecimentos quando mora outro tão oposto ao seu lado. Tão vivo e que se mostra todos os dias. Mesmo quando não se compreenda. É a minha natureza. Um sorriso ninguém me tira, nem a vontade de atoinar. Mas afinal se assim é porque escrevo estas palavras? Realmente dá-me vontade de rir. Mas como tenho insight e juízo crítico, ou pelo menos penso, no segundo seguinte já me faz sentido. Afinal uma daquelas recordações tão recentes volta-me a assaltar. Já não rio. Ela não é alegre. Mas faz sentido. Pelo menos para mim, faz-me dar valor à vida e a tudo o que tem de bom. E mais importante, faz-me dar valor às coisas que realmente fazem toda a diferença e são as mais valiosas de todas. E, pelo menos para mim, acho que são coisas bastante pequenas e que tantas vezes nos passam ao lado.

(...)

A vida é uma benção, um privilégio. Tem problemas e fases que podem chegar a ser atrozes (não há paralelo com algo que tenha vivido), mas há o oposto. Afinal, em 10 seg. devo contar mais de 20 variáveis que me façam sorrir não? Pois claro que sim. Por mais variáveis que existam para nos minar o caminho, a maior parte das vezes somos nós que o traçamos. E quando não é possível, o modo como o percorremos calha somente a nós próprios. "

Há dois rumos possíveis, incompatíveis entre eles. Há momentos difíceis em ambos.Há a minha pessoa, o que eu sou, em que acredito, quero acreditar e quanto e a quem me dou e quero dar. Há risco e coisas más. Há uma força interior que tem de chegar para cuidar de outros e da pessoa em especial que queremos, para cativar, gerar esperança, para vencer receios, angústia e outras formas de sofrimento. Que tem de chegar para dar mais na profissão. Em situações familiares, a amigos e outras realidades que já eram difíceis anteriormente e não mudaram. Que chega para me moldar e adaptar para o bem de quem quero e para o ver feliz. É ser-se o Eruntalon. E eu sei que o sou: uma esperança, uma força, um coração e um cérebro (embora para muitos compreensivelmente não pareça). Espero que isto não mude um dia mas do muito que aprendi recentemente é que tudo é possível. Incluindo o que é bom e quase impossível:) e uma das mensagens que alguém que muito estimo me sempre disse foi que o mais nobre dos sentimentos inclui as "experiências e situações boas e ultrapassar as coisas más", como me deixou escrito neste blog várias vezes, me disse presencialmente, por mensagens etc.

Espero que não se valorize novamente as coisas más que me ocorrem quando o quadro em que me encontro nos últimos tempos é precisamente o oposto, as coisas boas. Não há muita gente em determinados aspectos como eu (perdoem-me a minha falta de humildade aqui) e sei que não mereço tanto ou nada do que se passa. Mas sou dos que lutam se lutarem comigo e eu sei quem o merece. Se estiver errado descobri-lo-ei sempre, se houver mais ou tudo para perder fá-lo-ei sempre com a minha dignidade. Porque só há uma pessoa que sabe do que sou capaz e o que quero e tenho para dar. Compreendo o que ela precisa e sente e mais próximo ou mais afastado, vou sabendo o que quero porque poupá-lo é coroar-se a morte de alegria, e o que "nós" somos desde há muitos meses fala por si.




Anywhere you are, I am near
Anywhere you go, I'll be there
Anytime you whisper my name, you'll see
How every single promise I keep
Cuz what kind of guy would I be
If I was to leave when you need me most

What are words
If you really don't mean them
When you say them
What are words
If they're only for good times
Then they don't
When it's love
Yeah, you say them out loud
Those words, They never go away
They live on, even when we're gone

And I know an angel was sent just for me
And I know I'm meant to be where I am
And I'm gonna be
Standing right beside her tonight

And I'm gonna be by your side
I would never leave when she needs me most

What are words
If you really don't mean them
When you say them
What are words
If they're only for good times
Then they don't
When it's love
Yeah, you say them out loud
Those words, They never go away
They live on, even when we're gone

Anywhere you are, I am near
Anywhere you go, I'll be there
And I'm gonna be here forever more
Every single promise I keep
Cuz what kind of guy would I be
If I was to leave when you need me most

I'm forever keeping my angel close

Saturday, April 23, 2011

Biodiversidade

Hoje deixo-vos uma curta mas belíssima amostra da nossa biodiversidade. Para contemplar!

Friday, April 22, 2011

Eu!

Hoje prestei cuidados a uma Sra. que sofre de carcinomatose. Fui confrontado com uma fase do seu processo de luto, provei da sua revolta e antipatia e em muito menor quantidade do seu agradecimento.

Enquanto do ponto de vista da abordagem física e farmacológica "nada" pode falhar, tentei, como sempre se deve e tento, embora todos erremos, ser criterioso com a postura, presença, a escolha das palavras, do silêncio, mobilização do humor e sorriso e o sempre muito difícil toque terapêutico neste contexto. Ou seja, tudo o que faz verdadeiramente a diferença entre o cuidar e o apenas prestar assistência meramente física, entre o aliviar o sofrimento (vertentes espiritual, existencial, psicológico e emocional) ou apenas simplesmente aliviar a dor na sua vertente física. E cuja margem de erro é subjectivo, especialmente quando há falta de tempo, cansaço e pressão num serviço a abarrotar.

Embora não tenhamos falado muito, abordámos uma palavra difícil neste contexto: fé no sentido de crença interior já que a Sra era ateia ou não encontrava sentido na religião de momento, ou até revolta pessoal. A Sra. revoltava-se e estava antipática mas tinha um sentido de humor e uma força interior enorme e valorizar estes últimos ao invés dos primeiros é por vezes difícil, especialmente quando o sentimos na pele. Olhando é uma coisa, vendo-se é outra.

Isto faz-me sempre reflectir em ver o melhor do Outro, algo que nos parece tão simples mas é facilmente marginalizado no dia-a-dia.

Por outro lado, faz-me reflectir no que dar valor na vida. Só damos muitas vezes valor ao que temos quando o perdemos. Porque estamos dispostos a lutar nas nossas vidas e porquê?Pelo que vale sofrer?O que valorizamos?

Li esta pergunta várias vezes no últimos tempos: "amor ou medo, o que te motiva?". Quem me conhece sabe-a de caras. Mas aqui fica a resposta!

Realidade

Deixo-vos mais dados importantes elucidativos da actual situação do país e da imperiosidade de votar acertadamente no próximo acto eleitoral.

They!

Saturday, April 16, 2011

Quanto

Quanto vale o sacrifício?O deserto?A ausência? O vazio? A tristeza? A angústia? A alegria? A realização?A presença? O sorriso? As partilhas? As memórias? A entrega? A força? O levantar? O empurrar? O contagiar? O Cuidar? Os sonhos? O Amor? A vida? Eu sei.




"Se vês, então observa, se observas, então repara"

J. Saramago in Ensaio sobre a cegueira

Thursday, April 14, 2011

Porsche amarelo e Figo

Em dia de UEFA que pode ser histórico para o futebol português falo do clube que falta no quarteto, nomeadamente de Paulo Futre. É que finalmente ficámos a saber a história do "mítico" Porshe amarelo, famoso por cá e em Madrid! Com Futre é só pérolas!

Patos

Já há patinhos na Gulbenkian. Fez-me reviver memórias desde a infância ao passado recente.

Tuesday, April 12, 2011

Pequenas grandes verdades

Deixo-vos um excerto do livro "Histórias secretas da PIDE/DGS" com pequenas grandes verdades sobre a ditadura e a "democracia" em que vivemos, aplicáveis ao plano nacional e internacional. Esta obra é importante para vermos o que foi a história do fim da ditadura e da democracia em Portugal até à contemporaneidade e permite fazer várias analogias com o estado em que o país está. Permite-nos também conhecer melhor a esquerda e a direita portuguesa, as políticas de expansionismo das grandes potências mundiais e verificar muita da propaganda leccionada desde o ensino básico ao secundário e como se ocultam informações importantes. É uma obra conotada com o nacionalismo mas de leitura obrigatória para qualquer pessoa que se queira informar verdadeiramente, uma vez que a verdade não tem ideologia (tal como posso recomendar alguns livros de outras ideologias).


"A partir dos anos 60, o terrorismo de esquerda recrudesceu assustadoramente no mundo inteiro. Surgiram vários grupos dispostos a matar e a roubar em nome da ideologia marxista-leninista e seus derivados. Alguns deles eram discretamente apoiados e financiados pelos partidos comunistas locais; outros afirmavam mesmo serem órgãos de acção directa desses partidos. De Lisboa a Berlim, de Bruxelas a Chicago, iniciou-se uma nova era de terror no combate ao Estado. O Baader-Meinhof Gang, as Brigadas Vermelhas, os Weathermen, são exemplos conhecidos de organizações terroristas de esquerda.

Portugal não passou incólume pela vaga terrorista. Para além dos movimentos de libertação em África, o terror vermelho deu que fazer à polícia política na metrópole. Em Março de 1961, Álvaro Cunhal é eleito secretário-geral do Partido Comunista. É sob a sua direcção que o Comité Central decide abandonar a estratégia legalista adoptada anteriormente e recorrer a métodos terroristas para derrubar o Estado Novo. Primeiramente, intensificando os apoios aos movimentos de guerrilha em África; depois, criando e dirigindo na metrópole organizações terroristas. Todavia, os comunistas não foram os primeiros a enveredar por essa via. No primeiro trimestre de 1964, é fundada a Frente de Acção Popular (FAP). Os seus dirigentes, entre os quais se destacava Francisco Martins Rodrigues, eram antigos militantes e dirigentes do Partido Comunista. Contestatários do regime soviético, haviam saído ou sido expulsos do PCP por defenderem abertamente a aproximação ao modelo maoísta.

Em 1967 foi fundada a LUAR, acrónimo de Liga de Unidade e Acção Revolucionária, organização que propunha a realização de acções de guerrilha contra o regime. Com maior dose de realismo e perscrutando as necessidades financeiras da organização, os revolucionários da LUAR, dirigidos por Hermínio da Palma Inácio, decidiram começar a sua luta assaltando a delegação do Banco de Portugal na Figueira da Foz. Era menos arriscado e mais rendoso. Depois, sempre muito atentos às exigências financeiras de tão insigne guerrilha, especializaram-se em roubar os emigrantes portugueses no Luxemburgo. Foram seus dirigentes, para além de Palma Inácio, os senhores José Augusto Seabra, Fernando Echevarria e Emídio Guerreiro, que depois seria secretário-geral do PPD.

Palma Inácio, antigo mecânico da aeronáutica civil, foi preso em 1973 e encontrava-se em Caxias quando se deu o 25 de Abril, sendo libertado dois dias depois. Os seus libertadores consideravam-no um preso político, um combativo lutador antifascista - as acções terroristas são sempre legítimas quando feitas em nome da democracia. Palma lnácio tomou-se então militante destacado do Partido Socialista.

A Acção Revolucionária Armada (ARA) foi criada em Setembro de 1970 como organização subsidiária do PCP. Inicia as suas actividades terroristas no mês seguinte com um atentado à bomba contra o navio Cunene, fundeado no porto de Lisboa. Em Novembro, realiza uma tripla acção através da colocação de bombas na Escola Técnica da DGS, em Benfica; no Centro Cultural da embaixada dos Estados Unidos, na rua Gomes Freire; e nos armazéns do Cais da Fundição, em Santa Apolónia. A benemérita operação provoca um morto e quatro feridos. Quatro meses depois, a ARA ataca à bomba a Base Aérea de Tancos, destruindo aviões e helicópteros militares. Entre Junho de 1971 e Agosto de 1972, leva a cabo outras acções terroristas. Em consequência da detenção de vários membros da organização pela DGS, a ARA suspende as suas actividades em 1973. Os seus operacionais mais activos eram Jaime Serra, Francisco Miguel, Carlos Coutinho e Raimundo Narciso, actualmente deputado à Assembleia da República pelo PS.

Também em 1970 foram fundadas por Carlos Carneiro Antunes as Brigadas Revolucionárias (BR), na sequência da ruptura definitiva entre a Frente Patriótica de Libertação Nacional e o PCP. Organizadas em células semi-autónomas, financiaram-se através de assaltos a bancos, tanto em Portugal como em França. A sua acção principal foi um atentado à bomba contra as instalações da NATO no Pinhal do Arneiro, em Setúbal, a 7 de Novembro de 1971.

A partir de 1973, as BR passaram a actuar como braço armado do Partido Revolucionário do Proletariado. Alguns dos seus membros foram detidos pela DGS em 1973, o que não impediu que a organização continuasse a desenvolver as suas actividades.

Após o 25 de Abril, sob a direcção de Carlos Antunes e Isabel do Carmo, médica nutricionista que ainda hoje continua por aí a tratar da saúde aos portugueses, as BR actuaram como uma verdadeira milícia da extrema-esquerda. A 24 de Outubro de 1975, por serem obrigadas a entregar as armas, passaram à clandestinidade. O novo regime considerou-as uma manifestação de banditismo e entregou o caso à Polícia Judiciária, que prendeu os brigadistas. Por acórdão lido no 3º Juízo Criminal da Boa Hora, a 9 de Abril de 1980, Carlos Antunes foi condenado a 15 anos de prisão e Isabel do Carmo a 11 anos. Para além destas penas, os réus foram condenados a pagar indemnizações às instituições bancárias assaltadas, num montante de aproximadamente cento e cinquenta mil contos. Ouviram a sentença visivelmente contrariados, os olhos no chão, cravos vermelhos ao peito. Poucos dias depois, o julgamento foi anulado. Os dois foram libertados. Quatro membros das BR colaboraram mais tarde com as Forças Populares 25 de Abril, de Otelo Saraiva de Carvalho.

Nos nossos dias, o terrorismo de esquerda é sempre apresentado pela comunicação social(ista) como uma obra assaz benemérita, de grande alcance humanitário, meia dúzia de homens armados e municiados prontos a matar e a morrer para salvação de todos nós; já o terrorismo de direita (ou sobretudo o que é impropriamente classificado como tal), é visto como uma acção criminosa e atrabiliária, bandos de energúmenos armados até aos dentes para matar a torto e a direito. É um sinal dos tempos.

Quando o Conselho de Administração dos CTT convida o ex-operacional da ARA Jaime Serra para a inauguração de uma nova estação de correios no edifício que o bravo combatente antifascista destruíra à bomba vinte e sete anos antes, condensam-se em acto oficial todas as virtudes democráticas. Quando se vêem os responsáveis por actos terroristas que causaram mortes serem bajulados na televisão por jornalistas apreciados, percebe-se a importância da imprensa livre e pluralista.

Os terroristas de esquerda mataram em nome da liberdade e da democracia? Isso é bom. Os polícias prenderam-nos em defesa da segurança do Estado Novo? Isso é crime hediondo a exigir severa punição. E deste raciocínio parte-se de modo generalizado para todo o universo político e social. Vivíamos num regime antidemocrático; vivemos num regime democrático. Isto quer dizer que estamos melhor. Há desempregados, marginalizados, drogados, esfomeados, desalojados e desnorteados? Não têm que se lamentar, tanto que se podem queixar sem censura à imprensa e dar dois berros de protesto às portas dos ministérios. Vivem em democracia. Que mais querem eles? ? que é preciso é votar, e referendar, e dialogar, e aceitar como factos inelutavels tudo o que de mal ocorre. Morrer em África num regime autoritário é uma coisa; morrer na Bósnia em democracia é outra ... O que é bom é mau quando o regime é autoritário; o que é mau é bom quando é livremente sufragado pelo povoléu. Um democrata ladrão é sempre melhor do que um autocrata honrado.

Este sistema mecânico de pensamento, que tende a aceitar sem reservas tudo o que emanar da pretensa soberania do povinho, preocupa-se mais com a questão teórica da legitimidade do poder do que com os efeitos práticos da governação. Não vislumbra, por isso, que o Estado é uma categoria histórica. Quaisquer que sejam as formas da sua legitimação, é sempre Estado. Não abdica do monopólio da produção jurídica nem abre mão do monopólio da força. Qualquer Estado moderno é totalitário.

Tendo o monopólio legal da violência, como dizia Max Weber, o Estado exercita muitas vezes essa prerrogativa para alcançar fins políticos e sociais. Assim como a bondade de Deus não poderia ser louvada se não existisse a malvadez do Diabo, também o zelo do Estado não pode ser apreciado se não houver um monstro terrorista, que funciona como uma verdadeira arma do sistema. Em Itália, nos esconderijos das Brigadas Vermelhas, encontraram-se documentos confidenciais, provenientes de organismos policiais, comissariados e até de ministérios, os quais estranhamente nunca haviam sido tomados de assalto pelos terroristas. Em Espanha, o escândalo protagonizado pelo sI. Roldán, ex-director da Guardia Civil, pôs a nú as intimidades entre esta polícia e a ETA, cujos militantes conheciam os movimentos da Guardia e da Polícia Nacional.

Perante uma onda de crime avassaladora sempre apresentada como o mal absoluto, todos os outros males são relegados para um plano secundário: os problemas da educação, da saúde, da habitação, da justiça, são esquecidos. Logo de seguida, o Estado arroga-se o direito de se intrometer na própria vida privada dos cidadãos. Em 1984, a famosa Lei da Segurança Interna só não foi aprovada no parlamento português porque, poucos dias antes da votação, os operacionais da DINFO desmantelaram o aparelho das FP-25 de Abril.

Finalmente, uma outra razão de peso justifica o terrorismo estadual: as acções cometidas sobre a população indefesa podem ser imputadas aos inimigos do sistema (o poder necessita de assinalar um inimigo, como ensinou Carl Schmitt). O exemplo de Stefano delle Chiaie pode aqui ser chamado à colação. Fundador da Avanguardia Nazionale, organização nacionalista italiana de luta contra o regime, delle Chiaie foi acusado de quase todos os atentados perpetrados em Itália desde o final dos anos 60, como o da Piazza Fontana e o da estação de Bolonha. Conheceu primeiro o exílio e depois as penitenciárias do sistema. A Avanguardia foi ilegalizada. Mais tarde, delle Chiaie foi absolvido. Sem que nada ficasse provado até hoje, as suspeitas recaíram sobre o SID, um departamento de serviços secretos do Estado. "

Bruno Oliveira Santos, Histórias Secretas da PIDE/DGS, Nova Arrancada