União Zoófila e Associação Zoófila Portuguesa


TORNE-SE SÓCIO; ADOPTE OU APADRINHE UM ANIMAL; FAÇA VOLUNTARIADO!ESCOLHA...UM PEQUENO GESTO FAZ TODA A DIFERENÇA!

Vancouver Olympic Shame: Learn more. Por favor AJUDE a cessar este massacre infame! Please HELP stopping this nounsense slaughter! SIGN

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Ser Enfermeiro...

Sunday, March 22, 2009

Eruntalon - XI

Uma seta vermelha foi impelida a grande velocidade, passando por cima de inúmeros elmos. Entre uma estocada, Eruntalon ouviu um grito conhecido e viu a aproximação do curioso projecto e da morte que o rondava. Não teve tempo para reagir. Piscou os olhos como reflexo, mirando a seta enquanto sentia o coração. De repente viu uma sombra passar-lhe à frente. No segundo seguinte, só viu ar! Olhando para o lado e viu o terceiro Ohtar cair da montada com o projéctil perfurando-lhe um pulmão. Percebeu o sacrifício enquanto Roccondil matava o Nainie que o ia atacar pelas costas, arrancando de seguida o punhal da coxa com um asgar de sofrimento. Entretanto o grito de frustração de Úra fez-se ouvir. Despertando para a dura realidade, viu mais 10 opositores que se aproximavam dos dois cavalos. Virando a cara para o amigo disse-lhe:

- A Aranel...ao meu sinal!


O companheiro respondeu-lhe com um grunhido sofrido, o mais parecido com uma expressão afirmativa que conseguiu reproduzir naquele momento. Os cavaleiros colocaram-se em posição de defesa, cessando depois os seus movimentos. Deitavam suor e sangue pelas extremidades dos membros e as armaduras outrora prateadas eram agora da cor de grande parte do vale: vermelhas.

A Aranel, desfrutando do espectáculo, e vendo a horda que se iria abater sobre os últimos dois sobreviventes, temeu não ter tempo lhes dar o golpe final, pelo que se elevou-se no ar e dirigiu-se para a contenda.

Os Nainies alcançaram Eruntalon em poucos segundos, motivados para invariável vitória. O Ohtar e Roccondil esperaram até ao último instante para atacarem. Pressionando os estribos contra a anca das respectivas montadas, Lomion e o congénere berbere deram coices à retaguarda enquanto giravam sobre si. Simultaneamente, Eruntalon e Roccondil usaram da confusão e da surpresa para bloquear os ataques. Eruntalon utilizou o escudo para desviar duas espadas e manobrando a sua arma foi desferindo golpes ascendentes e descendentes, alternados com estocadas. Face à velocidade dos movimentos do comandante, proximidade crescente do dragão e à reacção da essência, as palavras gravadas na sua lâmina intensificaram o brilho, reluzindo ainda mais ao sol e deixando um rasto dourado no ar lembrando chamas. Os inimigos, tomados de surpresa por tal impulso assassino, assustaram-me perante tal quadro: no meio do turbilhão de Nainies, Eruntalon afigurar-se-lhes-ia o génio do extermínio, cavalgando um corcel de asas de fogo!

O comandante retirou a lâmina do pescoço do último Nainie daquele grupo, sendo banhado de fluidos que espirraram da jugular com um som “húmido”. Olhando em redor viu a reacção do inimigo, que diminuiu a velocidade a que se dirigiam. Em pouco tempo teriam 50 Nainies acima deles. Eruntalon viu então a sua hipótese e gritando a Roccondil girou Lomion e cavalgou na direcção da Aranel. Perseguidos por todo o inimigo, só tinham agora na frente 3 soldados.

Os irmãos de armas usaram da sua experiência o que lhes permitiu desviarem-se dos ataques dos opositores. Um caiu cortado por Eruntalon, outro foi ferido por Roccondil mas o último feriu Lomion na coxa direita. O garanhão começou a perder velocidade, o que era problemático pois agora haviam ultrapassado as 2 linhas de Nainies! À sua frente, tinham o vale todo e o dragão que se aproximava perigosamente! A Aranel vendo a última jogada dos cavaleiros e sabendo do estado da sua montada decidiu resolver o assunto de vez. Ordenou uma descida rápida do dragão, começando a acumular toda a essência que ainda sentia no seu interior para a sua montada. Esta guinou quase repentinamente. Apesar da asa ferida, sabia bem usar as suas toneladas de peso para o efeito.

Entretanto Eruntalon seguia na dianteira, com o seu amigo na retaguarda. Sem virar a cabeça gritou-lhe o mais alto que conseguiu:

- Formação horizontal, já!

Simultaneamente, retirou do alforge da sela o seu bocado de corda. Em três segundos, enfiou o braço direito num laço e a espada noutra, puxando os respectivos nós. Estes ficaram bem apertados na arma e na protecção metálica do braço direito. Sabia que aquilo poderia ser o seu segundo trunfo do dia. Entretanto, durante aquele processo, o companheiro, apesar de bastante ferido ainda conseguiu reagir rápido colocando-se ao lado de Lomion. Sabia que a única maneira de sobreviverem à investida era desviarem-se para lados opostos.

Entretanto o dragão chegou à fase final da descida e a Aranel acabou de canalizar a essência. A besta recebeu-a directamente no coração, mobilizando-a instantaneamente: formou uma rajada de fogo enquanto se abatia sobre os cavaleiros.

Provavelmente devido ao cansaço, os cavaleiros não tiveram tempo de reagir mais rapidamente, mas ambos conseguiram evitar o cerne do ataque, desviando-se para a esquerda e direita. Muito deveram à qualidade dos cavalos. Contudo, foram atingidos pelas chamas. Eruntalon conseguiu aparar o embate com grande parte do escudo, sendo no entanto cuspido de Lomion, que caiu no chão ferido com queimaduras. O Ohtar estatelou-se no chão com a parte exterior da armadura em brasa e a pele a ser queimada na zona lateral, a mais exposta. O escudo estava meio derretido mas tinha feito a sua função. Miraculosamente não partiu ossos já que aterrou numa zona com ervas bastante altas. A dor da pele era forte mas o que viu fê-la esquecer: Roccondil jazia a vários metros de si, com a armadura derretida e a fumegar. Cheirou-lhe a carne queimada! O capitão havia recebido com uma maior intensidade de chamas e a rapidez que imprimiu ao seu escudo não havia sido suficiente. Ou o escudo não aguentara, já que estava completamente derretido. O berbere arrastava-se pelo chão nos últimos sopros de vida, lutando contra o fado que inegavelmente lhe estava destinado.

Eruntalon deitou lágrimas pelo seu amigo e a sua dor cresceu! Dos grandes companheiros de armas só lhe restava o ausente Mirimon. Num esforço quase sobrenatural, Eruntalon olhou para trás. Lomion estava vivo mas bastante ferido e não o poderia ajudar. Heru estaria no saco que agora estava aberto, mas estaria vivo? Ao fundo, a horda de soldados aproximavam-se perigosamente. E olhando para o céu, viu novamente a besta. A Aranel, de lança estendida, rejubilou com o resultado do ataque e apesar de já não ter essência suficiente para transmitir à montada, sentiu a vitória perto! Ordenou novo ataque. Mestre e Dragão urraram na expectativa de sentirem aquele pequeno ser ferido e indefeso desmembrado pelas garras da besta.

Eruntalon só teve tempo de se levantar e pegar na espada que não voara graças à corda que embora parcialmente ardida, não cedera. No entanto já não pensava, estas acções foram alimentadas apenas pela força do pânico. Ambas as mãos suavam do esforço de ainda pegar na espada. De repente o dragão surgiu com toda a sua envergadura. O medo fez-lhe um nó no estômago, a pele de Eruntalon ficou fria. Pela primeira vez naquele dia, o Ohtar tremeu! O medo do dragão estava a apoderar-se dele. “Foge”, gritava o seu cérebro. “Fica!” ,dizia-lhe o coração. Olhando para o restava do seu amigo, Eruntalon controlou-se. Nunca se batera verdadeiramente de frente com um dragão, ainda por cima apeado, porque eram raros e quem o fazia não vivia para o contar. Mas poucos teriam uma espada élfica. O Ohtar lembrou-se da natureza da essência que a compunha, a mesma que o dragão usava. E pensou que tinha uma chance, rezando para o que havia estudado em criança estivesse certo...


The riders of Rohan -

Saturday, March 21, 2009

Dia Mundial da Poesia

Hoje é o dia mundial para a eliminação da discriminação racial, da floresta, da árvore, do sono e da poesia. Noutros anos referenciei alguns destes tópicos, mas hoje destaco o último. E talvez em breve o faça ainda mais.


Ser Poeta

Ser poeta é fazer de cada despedida uma saudade

É ter nas mãos os sonhos, vivê-los de verdade

Chorar, sorrir, sem medo de viver.

É despir-se perante tantos espelhos

Amar a vida e, de joelhos,

Agradecer a Deus em cada anoitecer.

É cantar e amar cada minuto vivido

É acordar desejos adormecidos

Colher da vida os frutos da paixão.

Ser poeta é amar intensamente

Ter o passado como futuro tão presente

Fazer da vida sempre uma oração.

Eruntalon - X

Eruntalon e os Ohtars desciam a colina. A luz do sol reflectia-se nas armaduras, dando-lhes um contorno reluzente. De espadas estendidas assemelhavam-se a arcanjos voando na defesa do Bem. Cavalgavam em 20 belos mamíferos hipomorfos. O comandante montava o branco e lusitano Lomion. Roccondil o seu magnífico animal Berbere. O resto eram Pasos, Quarters, Galicenos,Hunters e um Shagya. Aqueles corcéis, alinhados em tão grupo heterogénio, representavam os donos, pois tais como eles possuíam diferenças físicas e de personalidade. Mas uma coisa tinham em comum: as crenças que os regiam. Aquele grupo era a personificação de todo o seu povo, panóplia de multiculturalidade que constituía e de tudo o que os unia: a amizade e o amor!

Aproximavam-se agora do sopé da colina, perto do que restava do inferno de chamas e fumo. Os Ohtars cerraram a formação e iniciaram a cavalgada! Mergulharam no mar de labaredas e cinzas, saltando por cima dos da terra que ardia e circundando os eucaliptos que ainda se mantinham em chamas, como tochas gigantes cravadas no vale. Todos estavam feridos e as cinzas e fumo que inalavam secavam-lhes a boca e as restantes vias aéreas, fazendo-os tossir sangue, secreções e ar. Involuntariamente deitaram lágrimas dos olhos. As armaduras recomeçaram a aquecer e re-acordar dores físicas já esquecidas. Mas a cavalo o inferno passava-se rápido.

Os Nainies deixaram de ver o inimigo. Olhavam agora sedentos para o curto descampado que os separava do fumo negro.Esperaram impacientemente por avistarem os primeiros vultos dos homens que iriam pagar caro pela ousadia. Ouviam as últimas ordens do capitão e Úra. Foi-se fazendo silêncio, e o crepitar da madeira foi ganhando protagonismo como o som mais exacerbado daquela extremidade do vale. Então o vento levantou, projectando os longos cabelos pretos da Aranel e dos seus soldados para a frente, apesar da maioria usar elmos. A aragem dirigiu-se em direcção ao eucaliptal, começando a empurrar o fumo preto.

O descampado visível à frente dos Nainies começou a aumentar de tamanho. Ouviu-se então um grito. Primeiro abafado, meio rouco, que foi subindo de intensidade. Posteriormente avistaram um vulto! Inicialmente pequeno, depois maior. Dois, três, quatro...uma linha. Cavaleiros e corcéis emergiram da nuvem negra! Deixavam um rasto de cinza que se havia acumulado e caía agora de elmos, espaldeiras e garupas. Toda a formação gritava com as espadas estendidas, segurando as rédeas com o braço do escudo, o mais fraco ou, na maior parte dos casos, com o em piores condições. Crinas esvoaçavam e a de Lomion brilhava com o sol poente. O som grave da corneta de Roccondil ecoou pelo vale.

Mal os olhos se habituaram à luz, Eruntalon focou o inimigo, situado a poucas dezenas de metros. Em plano de fundo, o dragão rugiu, abrindo a asa esquerda em sinal de desafio. E foi então que Eruntalon deixou de o ouvir. O tempo quase parou, as passadas de Lomion pareceram ficar mais lentas e a distância para o confronto maior. O movimento do quadrúpede dava-lhe agora uma sensação algo relaxante. Deixou de sentir dores e o vento que lhe batia na cara. A espada pareceu-lhe ficar mais pesada...até que deixou de tudo ver !Apenas ouvia os passos da montada ressoarem vagamente na cabeça. Na sua mente desfilavam agora imagens em “flashes”: os seus amigos; a família; a amada; acontecimentos de vida marcantes... treinos com o pai, conversas com a mãe, a primeira cavalgada, um jantar de família, a sua casa, a morte dos avós, o primeiro beijo, a primeira vez que pegou na espada, o seu juramento do código , cerimónia em que foi ordenado Ohtar... o ataque de Nainies à aldeia, os cadáveres dos vizinhos, a sua demanda, momentos de inúmeras lutas travadas nos últimos anos, Mirimon, Roccondil, Ondo, a dor , o sofrimento...a Aranel. Mal essa imagem ecoou na sua mente, algo explodiu dentro do cavaleiro. As supras-renais reclamaram a sua existência projectando para a circulação sistémica quantidades incríveis de adrenalina. O coração acelerou e os músculos contraíram-se!

Instantaneamente como se havia formado ,desfez-se o torpor! Eruntalon voltou a sentir o vento e os sons de outrora. Heru ladrou de dentro do seu saco, como que sentindo a iminência do embate. Eruntalon focou o inimigo a 40 metros e os seus olhos crispados de fúria foram recebidos com uma salva de flechas. Reflexivamente ergueu o escudo mesmo a tempo de se proteger de várias flechas. Três homens caíram. O comandante fitou-os e o seu olhar cruzou-se com o de Roccondil. Pela última vez o grito fez-se ouvir: “Atar alcar”!

O fim do grito foi abafado pelo choque do metal. Nainies foram projectados e espezinhados perante a fúria hipomórfica! Eruntalon e o capitão distribuíam golpes baixos, decepando e desmembrando opositores e bloqueando ataques. Companheiros e montadas caíram. Pela 1ª linha passou metade da força original. Não dando qualquer segundo para sentimentalismos, abateram-se sobre a 2ª linha. Eruntalon desviou-se de dois opositores que tentaram empalar Lomion. Obrigado a desviar-se para a direita, foi rapidamente cercado. À sua frente o companheiro mais novo do grupo era engolido pelo ataque de 4 Nainies. Outro matava opositores no seu cavalo, antes de ser puxado pelas costas por inúmeros braços para o mesmo fim.

Eruntalon gritou de raiva enquanto brandia a espada de modo harmonioso, espalhando um perfume de mortandade à sua volta. Por duas vezes foi cercado pelo inimigo, das duas os matou. Contudo não conseguiu evitar um corte na perna que o ia fazendo cair. Agastado pela dor, deveu a vida a Lomion que com o seu sentido de sobrevivência conseguiu escapulir-se, fintando os adversários enquanto recebia espadadas nas suas protecções e originaram alguns ferimentos ligeiros nas zonas vulneráveis. No meio da confusão, Lomion juntou-se Roccondil que tinha um punhal espetado na coxa e uma seta na omoplata esquerda, quase não conseguindo movimentar o pesado escudo.

O comandante a muito custo ia sustendo o ímpeto dos Nainies que se começavam a aglomerar-se naquele local: toda a 2ª linha estava a convergir para eles, os sobreviventes! Apenas um terceiro ainda se batia a uns metros deles. E foi naquele segundo que olhou em redor que se apercebeu da mulher de cabelos ruivos que o mirava.

Úra pegou na sua besta e colocou-lhe uma flecha, cuja ponta foi ornamentada com essência para a tornar letal ao simples contacto com um corpo. As vantagens de ter a Aranel como Mestre é que sempre ia aprendendo umas artes mágicas. Focando o horizonte, sorriu sarcasticamente. No confusão que tinha à sua frente, Eruntalon destacava-se facilmente no alto da sua montada. Seria o alvo mais fácil da sua carreira! Apontou ao peito do guerreiro e disparou…


Friday, March 20, 2009

Eruntalon - IX

E foi assim que tudo aconteceu, tendo o sol de uma fria tarde de Primavera como cenário de fundo. No alto da última colina do vale surgiram 20 nobres cavaleiros em linha sob um estandarte vermelho. A maior parte estava ferida, mas olharam para o inimigo e…sorriram.

Eruntalon puxou as rédeas e passou lentamente com Lomion por cada um dos seus companheiros, dando um fraterno cumprimento conforme a sua condição física e a do destinatário permitia. Em seguida, dirigiu palavras a cada um em particular. O último foi quem se encontraria a seu lado: Roccondil. Após um longo abraço, o amigo retirou uma arma do alforge da sua montada e deu-lhe o que se assemelhava a um punhal comprido.

- É uma Drachenzahn*. Foi-me oferecida por Mirimon antes de nos separarmos, três meses depois de termos combatido aquela outra Aranel. Lembras-te?

- Lembro-me…e jurei que numa futura situação semelhante...eu ganharia! Hoje espero que seja esse dia.

Rocondil quis rir-se, pensando que só haveria mais aquele dia e não seria nesse certamente. Mas nada lhe saiu, as dores eram tão fortes que não conseguia contrair muito o diafragma.

- Essa arma foi forjada pelo avô de Mirimon na nossa terra Natal. Ele pediu-me que olhasse por ti quando se separou de nós para ir ter com os seus Othars. Se não fosse o Fado de hoje tenho a certeza que o iríamos rever brevemente. De qualquer maneira, é das poucas coisas que ainda poderei fazer por ti no que resta deste belo dia. Aceita isto do fundo do coração.

Eruntalon pegou na arma e tirou-a da sua bainha de couro. Tinha um cabo de ferro envolvido em pele de búfalo. No topo do punho, uma pequena peça metálica formava um arco convexo, constituindo a base da lâmina. Esta teria cerca de 20 cm, ornamentada com uma bela saliência côncava de ambos os lados da lâmina no seu primeiro terço.

Embainhando-a, colocou-a por baixo das peças metálicas que protegiam a sua perna direita. Embora conseguisse movimentar-se sem problemas, tinha noção que se caísse com violência sobre aquele lado, além de magoar o membro inferior, corria o risco da comprida faca romper a bainha e espetar-se na sua perna. Mas era uma preciosidade de Mirimon e naquela hora negra, o mais próximo que poderia estar do seu amigo ausente.

Por fim, em esforço, o comandante dirigiu-se a todos, com mais pausas do que o habitual devido às dores:

- Meus caros… foi uma honra lutar e servir-vos! Hoje honramos os nossos ideais… mas acima de tudo lutamos por todos aqueles que amamos. Temos visto que o nosso mundo cada vez mais está ameaçado por aqueles que perderam a fé e a esperança na amizade e no amor. E poderá haver um dia em que esse movimento impere, e todos percam a memória do que é essa magia. Mas esse dia…não será hoje! Hoje tememos! Hoje sofremos! Hoje vimos a morte! Hoje chorámos! Mas o mais importante…hoje lutámos! Contribuímos para um futuro melhor, como nestes últimos anos que me acompanharam. Hoje caros irmãos…fomos gloriosos, enormes! Demonstrámos que pequenos gestos vindos das profundezas da nossa alma e coração, conseguem atingir todos os que nos rodeiam, e até derrotar os piores dos inimigos. E hoje, agora, vamos mostrar-lhes a derradeira e última força do que defendemos!! Porque somos Othars! Porque aquilo em que acreditamos dá sentido à vida, mas também à morte. Porque “poupar o coração”

- “...é coroar-se a morte de alegria” – retorquíram todos, interrompendo-o.

Eruntalon sorriu novamente.

- Irmãos, a uma morte gloriosa! Uma última cavalgada sob o sol poente é o que partilharei com vocês…com um grande sorriso! À nossa e em honra dos nossos companheiros!! Atar alcar!!”

E desembainhou a espada élfica, que resplandeceu sob o sol.

Atar alcar!!” gritaram todos, desembainhando as armas!

Roccondil pegou na sua corneta e fê-la soar pelo vale e cordilheira adentro, fazendo o metal vibrar e cerrando a convicção dos cavaleiros!

Com um grito de guerra, o pequeno grupo avançou a trote. O inimigo não estava longe, situando-se a pouca distância do outrora eucaliptal. Parou assustado ao ver determinada ousadia. O que havia acontecido aos seus camaradas? Viram a fúria e o estado da besta e da Mestre, mas no fundo do egoísmo e descrença por qualquer valor bom que caracterizava aqueles seres, nunca esperariam ver surgir o inimigo ao longe. A surpresa e o respeito que lhe ganharam naquele momento foi certamente um fenómeno que não se havia registado em centenas de anos anteriores, tal o ódio entre aquelas raças.

Este abalo que sentiram foi interrompido pela voz da Aranel. Não haveria necessidade de lutarem no meio do inferno de chamas que tinham à sua frente. Esperariam calmamente para os esmagarem! A feiticeira fechou os olhos e canalizou a sua essência dos seus sentidos para a sua mente. Uma das suas capacidades era conseguir visualizar os fluxos de energia, os seus sentidos e a intensidade que tinham em cada organismo vivo do reino animal. Era uma capacidade útil para diagnóstico com fim estratégico-militar já que permitia-lhe ver o potencial energético do seu oponente – que geralmente reflectia a força física de que dispunha naquele momento – assim como lesões internas e externas, uma vez que estas últimas modificam a normal natureza dos fluxos. Contudo, o alcance de tal capacidade é curto, pelo que a Aranel apenas olhou para a sua montada. Através dos seus olhos mágicos, transmitiu uma clara imagem à sua mente. A aura de essência do dragão encontrava-se fragilizada pela viagem, o esforço físico e o fogo que emanara. A aura era mais forte no coração, órgão onde acumula a essência. Sentiu o enorme ódio que daí adivinha também. Aqueles dragões podem estabelecer laços com uma Mestre, mas serão sempre maléficos e selvagens...um monstro!

A guerreira continuou a analisar os fluxos que na sua mente ganhavam uma cor azul fluorescente. Verificou que o animal nos próximos tempos só poderia efectuar ataques puramente físicos. Pelo menos de forma autónoma. A Mestre, como já fizera antes, poderia fornecer-lhe essência para formulação do fogo, mas também lhe restava pouca. Contudo, a besta estava ferida na asa direita. A Aranel via claramente os fluxos de energia alterados que daí advinham. O dragão para voar correctamente teria de canalizar essência do seu coração para o local. Nunca tinha visto o seu animal assim. Ela própria havia sido humilhada e corrido perigo de vida. A feiticeira sabia que não tinha muita essência restante, mas após a avaliar achou que era o suficiente para formular mais uma bola de fogo pela montada. E pouco mais… mas não interessava muito, o fim estaria próximo e antes que o sol caísse, ela própria iria esmagar o ousado comandante inimigo!

Ordenou então aos Nainies que formassem duas linhas de 50 homens, de modo a potenciar uma defesa mais sólida contra os cavaleiros. Apesar de estar em campo aberto, não se importou com o perigo de os seus homens serem ladeados. Lá no fundo sabia que iam atacar de frente...eram Ohtars! Com um riso lúgubre, puxou as rédeas e recuou cem metros dos seus soldados. Quem os passasse iria receber o golpe final naquele campo aberto. A movimentação que fez e o vento que provocou levou à intensificação da dor proveniente da lesão que tinha na cara. Não se importou. Comparada à que iria infligir ao adversário, era insignificante! E perante a iminente ofensiva, o dragão rugiu...de raiva!

*Drachenzahn:"Dente de dragão" (arma da Idade Média)




"The Prisioner Wishes to Say a Word" - The London Symphony Orchestra

Thursday, March 19, 2009

Dia especial!

E hoje é dia do Pai e de São José!




Eruntalon - VIII

Eruntalon conseguiu recuperar e só a muito custo se conseguiu por de pé. Tinha o braço esquerdo deslocado e o escudo era pesado. As dores eram insuportáveis. Pela primeira vez caiu de joelhos, cedendo ao cansaço, apoiando-se no braço direito. Foi alcançado e auxiliado a levantar-se por Roccondil. Este encontrava-se agora com o membro superior ferido completamente inutilizado, um forte hematoma na face e um golpe fundo na perna direita, onde efectuara um torniquete e de momento mancava.

Trocaram palavras de frustração perante a tentativa frustrada de ferir a Aranel. Olharam em redor, o inimigo havia sido aniquilado. Mas faltava o último grupo, mais cem. E um dragão e respectiva mestre!

“ Nunca pensei que fôssemos tão longe caro Eruntalon”- disse Roccondil.

O visado respondeu, cuspindo sangue: “Parece que agora és tu o pessimista! Restamos vinte...mas demos-lhes uma lição!”.

- “Ah! Sabes sempre como me motivar, tenho que aproveitar para rir enquanto as dores o permitem. Assim como o tempo... os últimos Nainies não demorarão a alcançar-nos!

- “São 100 e somos 20.... eu sei que o Mirimon e o Ondo fariam, sei o que quero fazer, mas depende de vocês e da saída do vale ali ao fundo...”

“ Não venhas com sentimentalismos” referiu Roccondil. "Sabes porque todos nós lutamos e o que fazemos pelos ideais e pessoas que amamos”.

Com um brilho nos olhos Eruntalon virou-se para os restante grupo e gritou :“Atar alcar??

Atar alcar!” ouviu de volta.

Com um sorriso na cara, o comandante bradou: “ 5 minutos então!”.

Nem haveria tempo de enterrar os amigos. Aquele seria o curto espaço de tempo que restava a cada um daqueles vinte bravos guerreiros para ganharem forças ou simplesmente recordarem tudo aquilo que valorizavam na vida, antes de enfrentarem o seu Fado. O capitão sentou-se no chão, perto de Eruntalon. Fechou os olhos, parecendo começar a orar. Outros começaram a lavar as feridas ou a beber água. Dois enterravam os seus objectos mais pessoais para evitarem serem conspurcados pelos vis Nanies.

O comandante começou por assobiar. Repetiu a a acção. Por detrás de carcaças de cavalos e cadáveres de amigos e inimigos surgiu Heru. Já começava a temer o pior, pois havia-lhe perdido o rasto no meio do fumo. Como sempre, o canídeo foi efusivo no reencontro com o dono.

“O pequeno salvou-me a vida duas vezes” – ouviu Roccondil exclamar. “Na primeira mordeu a criatura que me ia empalar pelas costas; da segunda importunou o arqueiro que me tinha escolhido como alvo! Vou ter saudades da alegria dele”.

“Eu também caro amigo...gostava que não viesses comigo mas não tenho escolha não é? És teimoso...” referiu Eruntalon.

Heru pareceu entender conforme ladrou e abanou a cauda.

O minuto seguinte foi dedicado pelo comandante a agradecer a Lomion. Já sabia que por mais que o enxotasse, o nobre cavalo iria atrás dele. Eram espertos e tinham igualmente percepção do que se passava. O Ohtar retirou do dorso do animal um cantil e bebeu água. Devido às lesões na boca, parecia estar a engolir apenas sangue, mas pelo menos era algo fresco. Saciado e com custo elevou o cantil e despejou grande parte do que restava pela cara e para dentro da armadura, nas zonas onde se havia queimado com mais intensidade. A barba molhada costumava fazer-lhe cócegas, mas só sentia dores. O resto do conteúdo do recipiente deitou no interior do seu elmo para Heru beber.

Por fim Eruntalon sentou-se com grande esforço. Por um orifício que tinha na cintura colocou a mão dentro da armadura e apalpou um dos seus bolsos. Retirou uma pequena bolsa de couro e abriu-a. Lá dentro estavam várias folhas manuscritas, o resto de uma rosa e um pequeno utensílio de escrita. O Othar retirou este último e releu pela última vez o que estava nas folhas: um poema que culminava com o retrato de alguém que lhe era muito querido. De seguida olhou para o céu…

Devido ao vento que se começou a sentir mas principalmente às incursões da Aranel, o fumo havia-se dissipado em muitos locais da extremidade do vale e as próprias nuvens cinzentas tiveram abertas, por onde agora passavam raios de sol. Aquele sopé da colina foi então banhado por este astro, aquecendo os cavaleiros e dando-lhe uma pequena sensação de alívio após horas e horas de intensos combates à chuva. Eruntalon mirou o sol e o céu azul. Lá ao fundo nos picos da montanha ainda cerrados de neve, descortinou águias que voavam. Um quadro banal mas que para aquele homem foi visto como das coisas mais bonitas que já tinha presenciado.

As dores intensas remeteram-no forçadamente para a dura realidade e o comandante oscilou. A visão desfocou-se momentaneamente. Estaria a chegar ao limite da sua resistência. Mas tudo o que recordou naquele momento aqueceu-lhe novamente o corpo e lembrando-se de quem amava acrescentou mais dois versos…os últimos:

“Para o meu dia-a-dia

Na solidão...é me uma alegria!”

De seguida, e vendo os seus companheiros a montar, deu-se conta que não poderia demorar, pelo que guardou novamente tudo na sua bolsa de couro, que remeteu ao local de origem. Ordenou a Heru que saltasse para um saco de couro grande que iria levar no dorso de Lomion, de modo a puderem ter uma última incursão gloriosa. E enquanto se dirigia com os seus irmãos de armas para cima do morro, retirou uma corda do alforge do seu cavalo. Era fina mas resistente. Cortou então uma porção que não teria mais do que 30 cm e posteriormente fez dois laços em cada extremidade. Por fim guardou o material, ciente de que ainda poderia ser útil. E Olhou uma última vez para trás, onde jaziam os seus guerreiros. Respirou fundo… à sua frente o topo do cabeço estava próximo!





What Wonderful World - Louis Armstrong

I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I think to myself what a wonderful world.

I see skies of blue and clouds of white
The bright blessed day, the dark sacred night
And I think to myself what a wonderful world.

The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands saying how do you do
They're really saying I love you.

I hear babies crying, I watch them grow
They'll learn much more than I'll never know
And I think to myself what a wonderful world
Yes I think to myself what a wonderful world.

Wednesday, March 18, 2009

Carpe Diem!

Hoje tive o prazer de rever uma pessoa que muito estimo e que já não via há uns tempos! É sempre bom saber novidades e matar saudades!
Apanhámos um banho de sol, um céu azul e o Tejo ao fundo. Por este ambiente e pela companhia (lembrei-me também de sítios para onde foste passar férias), lembrei-me deste poema. A ti agora dedicado , cara Sra. veterana;)Beijo grande*

No alto mar
No alto mar

A luz escorre

Lisa sobre a água

Planície infinita

Que ninguém habita


O sol brilha enorme

Sem que ninguém forme

Gestos na sua luz.


Livre e verde a água ondula

Graça que não modula

O sonho de ninguém.


São claros e vastos os espaços

Onde baloiça o vento

E ninguém nunca de delícia ou de tormento

Abre neles os seus braços.



Sophia de Mello Breyner Andresen


Gira a bola!

Ontem decorreu a 2º jornada da nossa equipa no Torneio ESEL! Foi um bom jogo de futsal (ou mais rigorosamente futebol de cinco, que o campo até era sintético), mas acima de tudo um grande momento de convívio para rever os amigos.
Quanto ao jogo, perdemos por 4-3 contra o adversário teoricamente mais forte do grupo. Um resultado lisonjeiro, visto a melhor condição física do adversário (militares) e o facto de termos disputado o jogo até ao fim. Não obstante a vergonha do dia, a arbitragem completamente parcial para o adversário, mas a nossa grande equipa rumará contra tudo e todos! Temos mais três jornadas para assegurar a classificação para as meias-finais, a começar já amanhã!
Para futura memória ficam os momentos de galhofa, entre os quais os envolvendo minis, incluindo a do Sr. árbitro que estava a arbitrar o jogo feminino;).

Equipa: Pedro, Miguel, Daniel, Evangelista, Duarte, João e Filipe
Marcadores: Eva e Dua

p.s:mesmo assim os meus agradecimentos a certos elementos da equipa de arbitragem e pelo sacrifício do seu tempo e trabalho.

Eruntalon - VII

A Aranel vinha lançada em fúria! Apenas via um ponto negro, um Homem, um inimigo! Não conseguindo de momento formar bolas de fogo, optou por um ataque terreno!

A pressão exercida sobre a cavaleira foi cada vez maior à medida que a montada se aproximava de Eruntalon, mas uma mão bastava-lhe para a controlar e se segurar, deixando a outra livre para manobrar a sua lança. Simultaneamente, a guerreira foi cerrando os olhos perante a cinza que lhe era arremessada para a cara, o que não a impediu de ir descortinando cada vez melhor o alvo.

E foi quando o dragão esticou as garras na fase final do ataque que percebeu que o cavaleiro tinha algo ao pescoço que também emitia luz! Reconheceu Elerrina, uma das cruzes transportadas por alguns guerreiros humanos e élficos. Quem as possui diz-se ser um exemplo de fraternidade, bondade, sinceridade e justiça!

Algo naquela visão fez a Aranel sentir perigo, talvez pela essência que tinha canalizado para os sentidos ou somente por ter como adversário alguém que não tem medo de amar os seus. E foi graças a esse estado de alerta que apesar do som agudo que o vento fazia ao assobiar nos seus ouvidos com grande potência, que a Aranel ouviu um grito: Roccondil!

Olhando por instinto para o lado direito, a guerreira viu durante curtos centésimos de segundo dez cavaleiros armados com bestas por entre a bruma que o incêndio criara, que rapidamente ficaram novamente encobertos! Percebeu a armadilha e a sua posição vulnerável e instintivamente puxou as rédeas da sua montada. Graças à ponte de essência que constituía um elo de ligação entre Mestre e dragão - diz-se que esse elo é tão forte que até há sentimentos que são transmitidos involuntariamente por essa união -a montada reagiu de modo célere!

Girando o mais rapidamente possivel e enfrentando todas as leis físicas e gravitacionais, o dragão fez jus à sua aerodinâmica e em escassos metros conseguiu voltar a subir. Tal facto salvou certamente a vida a Eruntalon, que foi novamente projectado pelo túnel de vento, mas salvou a feiticeira da armadilha.

Enquanto se encontrava no ar, o Othar viu-a perfeitamente. Era efectivamente linda, como rezava a tradição. Tinha cabelos lisos de uma cor escura, porte atlético e pele branca. Armada de uma curta lança ornamentada, usava uma armadura e um elmo cinzentos de pequeno porte. Não a protegeriam in extremis de armas pesadas mas talvez tivessem propriedades especiais contra feitiços ou ataques de outra natureza. De qualquer modo, teriam de ser leves para permitir manobrar um dragão.

Após a manobra evasiva, o animal irrompeu nos céus por entre as nuvens de fumo e a Mestre gritou de fúria ao verificar que por um triz se encontrava viva! Enquanto uma das setas lhe havia raspado na cara, fazendo-lhe um corte profundo que certamente constituiria a primeira cicatriz de guerra, a montada havia levado com seis flechas na parte lateral, sendo que duas alojadas na asa direita lhe provocavam dor e condicionavam o voo. Por estas razões, bateu em retirada para perto das suas tropas que se aproximavam. No entanto, não pode deixar de se sentir satisfeita ao constatar na sua incursão que já não haveria mais do que duas dúzias de cavaleiros...




Duel Of The Fate - Star Wars

Tuesday, March 17, 2009

Eruntalon - VI

“Perfeito!”, pensou o guerreiro. Esticando o braço, Roccondil automaticamente levantou a sua corneta e fê-la soar! Os guerreiros começaram então a correr, mas não para o inimigo! Corriam para a saída do vale situada o outro lado da colina.

Os Nainies lançaram-se no seu encalço, mergulhando no meio do fumo do eucaliptal e perseguindo-os cabeço acima. Todos, incluindo a Aranel, viam uma retirada. Satisfeita e decidida a dar um pouco de descanso à sua montada, pousou longe da contenda, atrás das reservas de infantaria rejubilantes e de Úra. Ajustaria contas com a sua subalterna mais tarde. Agora só queria relaxar! E foi talvez quando efectivamente o fez que notou...uma sensação estranha. O dragão pareceu também o sentir, já que adoptou outra postura. Sentiram a presença de essência para lá do fumo negro, exactamente no campo de batalha! Essência... encerrada numa espada!

Uma sucessão de pensamentos desenrolaram-se então na mente da Aranel: a essência, a coragem dos guerreiros, a sua experiência e sacrifício... o estandarte vermelho,...eram Othars! De repente tudo se tornou claro! A debandada era...um engodo! Pela primeira vez desde há muitas estações, a cara da feiticeira moldou-se de medo ao recordar-se que todos os Othars são cavaleiros e que ainda não havia visto nenhum cavalo deles! Instantaneamente ergueu-se novamente nos céus, ordenando às reservas perplexas que avançassem para a contenda. Só agora havia percebido o seu erro básico: toldada pela fúria de vingança e pela subestimação do adversário, não havia sobrevoado a única parte do vale que não podia ver directamente: a vertente oposta da última colina, onde sabia que os seus Nainies iriam ser chacinados!

Eruntalon e a sua companhia haviam descido a o topo da colina oculta com muita dificuldade, passando pelo crescente fumo dos eucaliptos que se espalhavam pelo céu e terra. Alcançados os seus cavalos, haviam-se colocado em formação prontos a emboscarem a centena de soldados que gritando não demorariam a aparecer. Foi com enorme prazer e alívio que voltou a montar o seu cavalo Lusitano Lomion e a rever o seu nobre amigo de quatro patas Heru Belethil, fraternalmente e habitualmente apelidado de Heru. O canídeo, que tinha recebido a ordem de ali ficar deitado, irrompeu numa demonstração de alegria chegando a tentar lamber as feridas do dono. Após retribuir o afecto, com umas palmadas e festas, Eruntalon assobiou. Heru conhecia os vários assobios do dono e aquele significava preparação para a guerra, local onde tantas vezes estava presente!

De repente começaram a surgir vultos por entre a fumarada que se avistava no sopé da colina. Os Ohtars não perderam tempo, começando a circundar o inimigo. Este, saindo meio cego da colina devido ao fumo, mas com a excitação e velocidade próprias de uma caçada a homens, saiu disparados sem parar e só tarde de mais se apercebeu do esquema.

O comandante e os companheiros conseguiram cercá-los quase por completo. Estavam divididos em dois grupos: o principal, munido de apenas armas brancas; e um secundário, que possuía também bestas e usava da distância e velocidade dos cavalos, assim como das setas para infligir perdas ao opositor.

Iniciou-se o combate com grande estrépito. Nainies sucumbiam perante a salva de setas inicial, que em breve não se iriam repetir já que o fumo alastrava por entre a contenda. Seguiu-se o contacto físico! Eruntalon ficou admirado com a rapidez de reorganização do inimigo, o que lhes permitiu sofrer menos baixas do que os Ohtars esperavam.

“Parece que estão melhor preparados que a cavalaria”, pensou.

O cavaleiro distribuía golpes e contragolpes, enquanto circundava grupos de adversários. Mesmo nestas condições, não esperava que os Nainies aguentassem muito tempo. Contudo, a batalha era feroz e por várias vezes foi seriamente ameaçado de vida: uma espadada na protecção da canela direita, uma seta embatida no elmo e várias tentativas de mutilarem Lomion com ataques rasteiros. Após abater quatro adversários e ter atropelado um quinto com o seu corcel, virou-se para ir auxiliar companheiros que lutavam contra inimigos montados em cavalos de falecidos Ohtars. E foi nesse momento que a Aranel chegou!

A bela guerreira havia percebido toda a estratégia enquanto se aproximava do extremo violento do vale. Sentia vergonha pelo modo como se havia deixado levar e constituído peça importante para tal situação. Tinha mordido o isco e lançado o seu exército para um inferno que ela própria criara. O fogo e consequente fumo que havia provocado na colina facilitou a emboscada das suas tropas e pior, impossibilitava-a de observar o que se passava e de intervir: o fumo neste momento tinha coberto toda a área daquela extremidade do vale, especialmente a altitudes mais altas enquanto subia lentamente pelas paredes rochosas com centenas de metros. O afunilamento do vale permitiu assim que a ratoeira fosse perfeita e constituísse protecção contra os ataques aéreos da besta.

A Aranel viu a distância a que a última linha de infantaria e Úra ainda se encontravam, pelo que, vergada pela fúria, apostou tudo num ataque às cegas. Acumulando quase toda a essência de que ainda dispunha nos órgãos sensitivos seus e da montada, com vista a não se despenharem contra o chão ou uma parede rochosa, mergulharam por entre o fumo preto. De repente avistaram o solo! E os cadáveres! Poucos Nainies restavam mas os Ohtars não seriam também muitos. Avistou um grupo destes e mergulhou. Apanhados de surpresa por entre o fumo, cavalos e cavaleiros foram despedaçados pelas garras da besta ou projectados pelo ar.

Eruntalon havia parado ao notar que a sua espada tinha começado a brilhar mais.Provavelmente foi o que o salvou, já que o grupo de cavaleiros Ohtars e Nainies montados a que se dirigia foram trucidados num ápice e sem qualquer aviso pela investida da Aranel. Sem perder tempo, chamou por Rocondil, que supostamente ainda estaria a comandar o grupo secundário. Após alguma confusão encontrou-o e fez sinal para o dragão, que fazia entretanto umas incursões superiores de modo a levantar o fumo que se fazia sentir. Verificando que o que restava do grupo de Roccondil se havia juntado, bradou aos céus um grito de fúria!

A feiticeira ouviu vagamente o seu nome ser pronunciado. Uma, duas vezes. Procurando, descortinou Eruntalon entre nuvens de fumo! O brilho da sua espada era bastante visível. O cavaleiro encontrava-se com uma bela armadura élfica, sujo de terra e sangue, apesar da chuva que se fazia sentir e que entretanto cessara. Tinha cabelos castanhos finos, barba rala e uma postura de desafio! Sim, não havia dúvida! Aquele era o comandante que tanta vergonha e derrota lhe havia infligido! O ódio elevou-se à fúria que já sentia, e ordenou ao dragão nova incursão, determinada a fazer do Homem um exemplo!

O comandante viu a besta guinar na sua direcção, desfumando a atmosfera em redor. A cada segundo decorrido, o que era um ponto negro tornava cada vez mais dimensões monstruosas. Assim, aos poucos foi focando melhor o dragão. Possuía um ventre ligeiramente amarelado, protegido por uma armadura de couro, a qual provavelmente seria leve e elástica para se adaptar ao animal em causa. Os olhos eram vermelhos, e na escuridão do fumo ficavam de um encarnado mais vivo. As garras e presas eram , no mínimo, medonhas! Perante tal quadro Eruntalon sentiu ver a morte de frente e todas as suas dores desapareceram. Mas de repente lembrou-se de Ondo, de Mirimon, da sua amada e de todos os seus ideais. .. e quando começou a sentir a deslocação de vento provocado pelo dragão, gritou!
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The Last Samurai -

Monday, March 16, 2009

Eruntalon - V

Ao longe, a Aranel mirava a sua hoste negra a aproximar-se do inimigo, certa de que este iriam sucumbir. O alvo estava esgotado, teria pouco mais de meia centena de elementos e praticamente já não tinha lanças, o que os obrigava a lutar de igual para igual com os seus homens.

Não iriam durar muito”, pensou. Pela fantástica demonstração de sobrevivência que haviam demonstrado, a feiticeira percebera logo que lutava contra soldados experientes, só que não sabia exactamente de que natureza. Tinha pouca experiência de acção e estava enfurecida, pelo que desprezou esse pequeno aspecto. Sorria agora confiante, na expectativa de ver o seu futuro adversário derrotado a retirar, facto que lhe confinaria mais alguma honra perante tantos Nainies que pereceram. Para apenas depois aniquilar cinicamente aquelas desprezáveis criaturas!

E efectivamente o inimigo começou a recuar! A Aranel congratulou-se e os seus olhos brilharam de expectativa ao imaginar o medo que certamente teria provocado com a demonstração de todo o seu poder há instantes atrás. Mas então algo aconteceu...aquela pequena sombra distante recuou mas não fugiu. Ao invés, formou duas pequenas linhas. A guerreira admirou-se, tomando determinada conduta como um desafio. Puxando as rédeas, elevou-se nos céus em direcção à contenda.

Eruntalon e os companheiros haviam formado duas linhas, com os feridos nesta última. Em prol de evitar serem rodeados, tinham retrocedido cerca de 200 m. para conseguirem continuar a cobrir toda a largura entre as paredes rochosas do vale. Estavam agora no sopé da última colina antes do “corredor” que mergulhava serra adentro, o local por onde tinham vindo. A base daquela elevação era praticamente o único lugar do vale com árvores, nomeadamente eucaliptos, e foi precisamente debaixo destes que os cavaleiros se posicionaram.

Entretanto, o inimigo aproximava-se. Só por si os seres malignos já salivavam de alegria perante o cenário de dor e sofrimento que se lhes afigurava, exponenciada pela centena camaradas que haviam perecido, não obstante a ligação afectiva reduzida entre eles. Mas a presença da Mestre e da besta motivara-os de um modo especial.

Já os guerreiros defensores estavam cansados mas em paz consigo mesmo. Assim se sentia o descendente élfico. Toda a vida lutara pelos seus ideais e era em horas como esta que se viam os verdadeiros Homens. Ao ver ao dragão levantar voo, o seu olhar cruzou-se com o de Roccondil. Ambos abanaram as cabeças em sinal de compreensão. Eruntalon gritou as últimas ordens e encorajou mais um grito de guerra.

O solo começou a tremer . Poças de água oscilavam não só com a chuva que caía: uma centena de passos ressoavam naquela extremidade do vale!. E então, quando apenas 100 m. separavam os exércitos, Aranel picou sobre os Othars!

Antes que os pudesse alcançar foi recebida por uma chuva de setas de bestas, que apesar do reduzido alcance tinham mais potência que os arcos. O dragão foi obrigado a fazer uma manobra evasiva, rodando 90º para a direita e ficando com duas setas incrustadas no dorso, perto da sela da feiticeira. As escamas superiores do dragão eram maciças como pedra e não sentiu qualquer dor, mas a raiva de Mestre e dragão cresceu. Destinada a se vingar efectuou nova rotação e de longe ordenou que a montada emanasse fogo. Duas grandes bolas de chamas abateram-se sobre as duas linhas, no meio da vegetação. Os eucaliptos explodiram, lançando farpas de madeira e chamas para cima dos guerreiros. Muitos foram projectados, outros trespassados e outros irromperam em chamas!

A Aranel viu a destruição que causara e olhou para os Nainies, a pouco mais de 50 m. daquele antro de destruição. Não se querendo expôr mais puxou as rédeas tranquilamente para ir de encontro a Úra. Havia gasto muita essência ao canalizá-la para a montada para formar as bolas de fogo, já que o dragão havia gasto toda a sua essência na longa e rápida viagem, assim como nas chamas que vitimara Ondo.

E enquanto a besta dava meia volta, Aranel viu um pormenor que não valorizou, talvez devido ao calor da luta e da vingança, mas teria sido pertinente. No meio do eucaliptal e das pretas nuvens de fumo que se elevaram no céu, pensou ter visto um estandarte vermelho...

Entretanto o sopé da montanha havia-se tornado um inferno. Pelos menos 10 homens haviam falecido. O comandante Othar tinha queimaduras no tronco, provocadas pelo abrasão da sua armadura a ferver e tinha a camada superior do seu escudo meio derretido. O ombro esquerdo agora doía-lhe o dobro em virtude do esforço que fez para evitar que um tronco maciço não o decepasse. De igual modo, possuía vários cortes na cara provocados por lascas. Olhou em volta. A madeira ardia, com tochas que elevavam nuvens pretas a uma grande altitude. A chuva era impotente para apagar o incêndio e o vento de momento não se fazia sentir. Os seus companheiros haviam-se reorganizado e à sua frente vinha o inimigo prestes a chegar.

Este vinha lançando uivos fúnebres, deliciado com o cenário dantesco em que iriam espezinhar os adversários. Mas nem mesmo o mais sereno ou observador deles viu o sorriso que irrompeu em Eruntalon!




MAY IT BE - ENYA - ENIGMA
May it be an evening star

Shines down upon you

May it be when darkness falls

Your heart will be true

You walk a lonely road

Oh, how far you are from home



Mornie utúlië (darkness has come)

Believe and you will find your way

Mornie alantië (darkness has fallen)

A promise lives within you now



May it be shadows call

Will fly away

May it be your journey on

To light the day

When the night is overcome

You may rise to find the sun



Mornie utúlië (darkness has come)

Believe and you will find your way

Mornie alantië (darkness has fallen)

A promise lives within you now

Sunday, March 15, 2009

Eruntalon - IV

Entretanto a 700 m. dali, Úra, outrora segura e confiante, observava aquele revés atrás das linhas de infantaria situadas a meio do vale. A sua falta de experiência, aliada à menor conotação de valores para com a vida dos seus camaradas que tinham os Nainies entre si, facilitou a sobrevivência de Eruntalon e os seus companheiros. Afinal aquele pequeno exército tinha uma missão a cumprir noutro lugar e aquele encontro fora mera coincidência.

Para poupar a infantaria, havia lançado logo o segundo ataque mais forte de que dispunha - a cavalaria - convencido de que de que a resistência iria ser reduzida. Pela mesma razão, mal a primeira vaga estava a ser aniquilada, mandou a segunda da mesma natureza, na esperança de remediar a situação e suavizar a ira da sua Mestre. Contudo a situação tinha piorado, e naquele momento essa mesma horda encontrava-se quase a bater em retirada.

Úra percebeu então que tinha que agir com rapidez! Observou os 200 soldados que ainda possuía, enquanto reflectia. Desta vez não iria subestimar o adversário…iria ordenar um ataque conjunto! “Será apenas uma questão de tempo…”, pensou. Afinal os Homens já se encontravam esgotados após as cargas da cavalaria. A sua fácies abriu-se num sorriso cínico!

Quando se preparava para dar a ordem ao capitão da companhia, sentiu um nó no estômago. Uma bela voz feminina ecoou na sua cabeça...“estou a chegar”. O sorriso desvaneceu-se e foi substituído por um semblante de pânico, dissimulado logo em seguida perante a aproximação do seu capitão.

“A Mestre está a chegar, preparem-se para seguirem as suas ordens”, referiu-lhe.

O Nainie esboçou um sorriso confiante e rapidamente transmitiu novas instruções aos subalternos. A notícia foi recebida com um coro de gritos de guerra entusiastas!

Eruntalon segurava no companheiro que há momentos lhe salvara a vida. Agora, jazia no chão. Esticou a mão direita, fechando-lhe as pálpebras. Da anterior centena de cavaleiros apenas sobravam cerca de uma dúzia, que fugiam apeados. O Ohtar ouviu então os gritos de guerra da enorme massa escura no horizonte, perscutando-a. Simultaneamente ouviu um grito de aviso de Ondo, um dos seus capitães, que juntamente com Roccondil – o seu outro capitão – eram os seus amigos do peito, assim como o ausente Mirimon. Rapidamente o descendente élfico percebeu que se o inimigo no clímax da derrota rejubilava, era reflexo do que se aproximava: a Aranel!

Desembainhando a sua espada, viu o clarão que advinha da sua lâmina: as palavras ore-ril gravadas a cor de fogo brilhavam! A essência alojada no cerne daquele objecto de guerra era semelhante à mobilizada por cada Aranel para formular feitiços através da sua montada. Daí reagir à presença desta...ela estava próxima! Gritando para Ondo e para os restantes companheiros, todos os cavalos ainda ilesos dos Nainies que se encontravam nas imediações foram montados. O comandante não dispunha de nenhum na sua zona, pelo que ficou a observar o seu capitão e cinco dos seus cavaleiros a perseguir e exterminar os opositores que batiam em retirada a várias centenas de metros.

Sem perder mais tempo, olhou em redor tentando perspectivar as baixas. Cerca de vinte, fora os feridos. Teve que lutar contra o seu corpo que inconscientemente reclamava uma pausa, um fugaz descanso. Mas fez o contrário. Gritou por Roccondil e encontrou-o ferido num braço. Rapidamente falaram da estratégia que iriam adoptar a seguir. Mas um grito medonho interrompeu-os...

No lado oposto do vale, havia surgido um enorme dragão azul, montado pela sua Mestre. Deu duas voltas sobre os seus Nainies, levantando o braço enquanto a saudavam. A Aranel, no alto da sua besta, em pouco segundos percebeu o que acontecera, em parte graças à comunicação hipnótica que mantivera com Úra. Regendo-se pelo orgulho ferido, nem pousou no chão: irrompeu contra os seis cavaleiros desprotegidos que se encontravam a retornar ao seu exército.

Eruntalon gritou, avisando Ondo. Os homens apressaram os corcéis mas estavam longe do seu grupo, sensivelmente a meio caminho dos dois exércitos. O comandante mandou preparar os arqueiros mas sabia que os seus camaradas não teriam tempo para chegarem até si. A besta aproximava-se velozmente! Os seis homens tentaram dispersar-se para evitarem serem colhidos pelas garras da besta em caso de um ataque terreno...mas de nada lhes valeu! Instantes depois a Aranel abateu-se sobre eles! Toldada pela fúria do vexame de ter perdido 100 homens quis demonstrar o seu poder! Sem picar sobre os Homens, formulou palavras à sua montada. Com um rugido esta última abriu as presas enquanto gerou uma bola de fogo.

E Eruntalon sentiu-se impotente! Paralisado, viu os seus amigos explodiram em chamas! Naquele momento o tempo parou, enquanto Ondo era uma autêntica tocha humana que se contorcia. Lágrimas correram pela face do comandante misturando-se com a intensa chuva, enquanto a fúria que o assumava o impeliu a correr na direcção do seu amigo. Os seus companheiros seguraram-no pois ser apanhado em campo aberto seria suicídio. O dragão vinha aí e os homens sabiam que no mínimo precisavam de estar em formação...e rezar!

Contudo, a Aranel deteve a sua montada. Sabia que esta estava fatigada com a longa e rápida viagem que haviam sido obrigados a fazer por consequência dos últimos acontecimentos. Por conseguinte, não queria expô-la desnecessariamente e já havia demonstrado o pretendido...o seu poder bélico e, simultaneamente, espalhar o receio nas hostes inimigas! Assim, enquanto deu meia volta ordenou a Úra que lançasse metade da infantaria ao ataque. Esta, motivada, avançou em linha gritando efusivamente!

Os batalhões de Ohtars sabiam de que apenas dispunham de alguns minutos antes dos Nainies percorrerem a distância que os separavam. O comandante estava trucidado pela dor interna que lhe assomava a alma, acompanhado por um desejo de vingança! Roccondil acercou-se dele e colocou-lhe o braço não ferido no ombro direito do seu amigo. Eruntalon olhou para o semblante do seu irmão de armas e descortinou também lágrimas. Mas em seguida o companheiro banhou-o com um sorriso.

“Lembras-te do sonho do Ondo?”, perguntou.

“Sim”, respondeu Eruntalon. “Era o mesmo que o nosso!”.

“Vamos honrá-lo caro irmão?”- inquiriu Roccondil.

O comandante sorriu. Olhou para o amigo e para todos os Homens restantes. De seguida, olhou para trás de si na direcção do inimigo. Lá ao longe, o dragão pousado no chão abriu as asas demonstrando toda a sua envergadura e poder, enquanto rugia. Os seus olhos ainda pousaram a meio caminho, no misto de terra e mamíferos queimados que ainda ardiam.

“ Vamos!”- retorquiu. “E mais, vamo-la matar!”.

Um homem comum teria pensado que Eruntalon teria endoidecido. Mas nenhum daqueles Othars o fez. Pelo contrário! Um grito elevou-se nos céus: “Atar Alcar!”*. Todos bradaram. Nenhum vacilou.

Eruntalon e Roccondil apertaram as mãos com força, olhando confiantes e decididos nos olhos de cada um, como que reforçando a aliança que os unia e que apenas poderia ser quebrada pela morte.

Ambos deram meia volta e, dirigindo-se a cada metade do grupo, gritaram aos seus conterrâneos: “Vamos jogar o nosso trunfo!”. Mais um grito de guerra surgiu nos Homens! E o resto das indicações resumiram-se a especificidades estratégicas.

*Ore -ril - "Chama do coração (heart + flame)" em Quenya.
*Atar alcar – “Pela glória” em Quenya.



sadness and sorrow -

Saturday, March 14, 2009

Eruntalon -III

A raposa, entre o forte odor que lhe chegava, apenas percepcionou as cores e a grande quantidade de vultos que lá em baixo se aglomeravam. Estes emitiam sons guturais que faziam eco por todo o lado, até mesmo à sua toca. Uma criatura mais inteligente teria certamente interpretado…um cenário de guerra!

O centro da contenda ocorria a muitas centenas de metros na base de uma colina, a última elevação antes de uma das saídas do vale, situada na extremidade mais distante deste último. Era uma zona onde o vale afunilava, permitindo à força em menor número conseguir cobrir a largura entre as formações rochosas e suster o ímpeto adversário.

Vistos de longe, via-se uma linha de cavalaria a abater-se sobre várias dezenas de Homens que os tentavam repelir. Os cavaleiros, perto de uma centena, haviam atacado em duas vagas, sendo que apenas esta última ainda se encontrava de pé. Eram Nainies, criaturas humanóides e inimigos eternos dos Elfos e outros povos de bem, por se “alimentarem” de situações que implicavam sentimentos negativos como a dor e o sofrimento.

Eruntalon não era excepção! Desprezava-os e não os temia. Juntamente com os seus companheiros de armas, cuja companhia não ascendia a 80 homens, haviam sido surpreendidos no vale com a chegada de cerca de 300 Nainies, formados em duas companhias com duas centenas de indivíduos de infantaria, a juntar à cavalaria supra-citada. Quem os comandava era uma Úra de cabelo ruivo, criatura que seria subalterna de uma Aranel, constituindo um género de braço direito no campo de batalha e que mantinha uma comunicação hipnótica com a sua Mestre, o que implicava que lhe reportasse o que via. Consequentemente, seria de esperar que a Aranel, mesmo que não estivesse presente no início da contenda, pudesse aparecer a qualquer momento já que se movimentavam em dragões.

Por essa razão, pressupunha-se que o comandante Eruntalon e o seu grupo retirassem quando foram surpreendidos, face ao cenário que se dispunha à sua frente. No entanto eram Ohtars, guerreiros que lutavam pelos seus ideais, valores nobres e altruístas, contra tudo e todos que os ameaçavam. Representavam a esperança e o sonho e eram sinónimo de luta e sacrifício, e nunca abnegação ou desistência! Lutavam por um mundo livre e justo, mas principalmente por todos os que amavam.

Decidiram pois lutar! Tinham o factor surpresa a seu favor: o inimigo apenas vira parte da sua força! Por mera sorte, Eruntalon e os seus homens haviam parado na base oposta da colina para calcular direcções, apenas adiantando os batedores que estabeleceram contacto visual com os Nainies. O comandante ordenou a todos que desmontassem e abrigassem os cavalos no sopé escondido da colina onde se encontravam, com vista a protegê-los e, de igual modo, a constituirem um trunfo escondido para a sua companhia. De seguida, caminharam para o pico do cabeço de modo a mostrarem-se e a avaliarem pormenorizadamente a situação.

O inimigo, não perdendo muito tempo, mobilizou-se em quatro linhas: duas de infantaria e duas de cavalaria. Pela dissemelhança de números previra uma vitória fácil, ordenando o avanço da primeira linha de cavalaria. Mas enganara-se!

Eruntalon focou os cavalos atrás de si. Era tentador montarem-nos e baterem-se de igual para igual com os cavaleiros. Mas os quadrúpedes eram incompatíveis com a única estratégia de defesa que possuíam contra tamanho e heterogéneo opositor: a técnica do quadrado! Devido ao afunilamento do vale, o inimigo encontrava-se impossibilitado de colocar grande número de elementos nas laterais. E assim, com bastante esforço e garra, o quadrado formado por duas linhas susteu e suprimiu a primeira vaga durante duas horas, perdendo apenas 20 homens. Além do ímpeto inicial da carga, o esforço de compensar os camaradas que iam caindo ou as perfurações na defesa era imenso, mas uma coisa jogava a seu favor: a experiência. Eruntalon há anos que se encontrava na sua demanda juntamente com muitos daqueles homens. Não obstante a fadiga, a disciplina era vital! E naqueles momentos fulcrais ela não foi parca, formando-se continuamente duas linhas: uma externa, com lanças compridas e escudos para suster os cavalos; e uma interna, pronta a acudir aos rombos e a tapar a linha da frente.

Eruntalon suava debaixo da armadura, desgastado com o esforço que fizera durante aquelas duas horas. O desgaste mental era enorme mas era a única esperança que tinham. O comandante encontrava-se inicialmente na linha interna, na zona central da companhia. A pressão que era obrigado a efectuar nos companheiros da frente para suster cargas havia sido contínuo.

A luta tinha sido renhida: uma brecha, o homem da frente cai ferido. Sem espaço para respirar toma o seu lugar na linha externa. Defende-se de cavaleiros apeados, que atacam com pesadas espadadas diagonais. Bloqueia os ataques com o seu pesado escudo. Uma espadada, defesa; espadada, desvio; espadada, defesa. Já sentindo a pressão do seu colega da linha interna atrás de si, desvia mais uma incursão, simulando de seguida mais uma defesa: No entanto, sem aviso prolonga o movimento transformando-o numa estocada, ferindo o adversário mortalmente no peito. Menos um. Com esta táctica só se pode atacar com a segurança de um substituto nas costas, pela manutenção da estrutura do grupo, e consequentemente, da sua sobrevivência.

Instantaneamente surgem-lhe mais dois Nainies. Trava o golpe do primeiro e gira o pesado escudo a tempo de desviar a espada do segundo Nainie, que resvala no seu elmo com um som pesado, cortando-lhe um tufo de cabelo castanho e fazendo-lhe vibrar dolorosamente a cabeça. Com o impacto é impelido dois passos para trás. Por reflexo, aproveita o impulso e faz uma rotação de 360º enquanto se ajoelha. Eleva o escudo e na sua protecção efectua uma espadada horizontal que facilmente se aloja no ventre do primeiro cavaleiro, apanhado em contrapé e desprevenido com aquele ataque baixo. O corpo do seu inimigo cai para cima de Eruntalon, toldando-lhe a cara de sangue, a tempo de ver a incursão do primeiro e de um terceiro Nainie. Quando se preparava para o embate, os seus companheiros da esquerda e direita, entretanto “livres”, intervêm de surpresa e eliminam um dos opositores. O último alcança Eruntalon mas este, de joelhos, mergulha de lado e corta-lhe uma perna, sendo rapidamente neutralizado pelos seus companheiros da linha interna.

Sem margem para respirar, os cavaleiros restantes recuam e reorganizam-se, ganhando impulso para nova carga. Eruntalon observou a aproximação das bestas quadrúpedes, ornamentadas com protecções de metal tingidas de sangue vermelho. Deitavam bofes da boca, que condensavam no ar dando-lhes um ar fantasmagórico. O solo tremeu com as montadas e os ares encheram-se de gritos dos Nainies. Eruntalon e e os companheiros mantiveram-se disciplinados, com o primeiro a gritar palavras de contenção aos seus homens. O medo era inversamente proporcional à distância que os separava dos quadrúpedes. A primeira reacção seria fugir. Mas a melhor estratégia estava no ataque! Eruntalon respirou fundo e tentou abstrair-se das dores musculares. Preparou-se para a última vintena de metros que o separava do choque. As sombras, outrora pequenas, cresciam agora exponencialmente. A cada momento decorrente, os companheiros de armas iam descortinando os músculos peitorais das bestas e as suas protecções.

O comandante sentiu o sangue quente irrigar-lhe o encéfalo, enquanto procurava encontrar uma falha na defesa dianteira do cavalo que tomou a sua direcção. Mais um segundo... “firmes”; dois segundos...“firmes”; três segundos...“firmes”. Ao quarto a ordem foi diferente! Uma palavra de ataque soou da garganta do comandante, enquanto embainhava a espada! Logrou esperar até ao último instante para ordenar que todos levantassem as suas longas lanças e, deste modo, tentarem empalar as montadas. E os cavaleiros se a sorte lhes sorrisse. Só homens de guerra disciplinados fazem isso num momento tão efémero!

Eruntalon agiu mecanicamente, ajoelhando-se, o que lhe permitiria facilmente saltar para os lados. Fixou a comprida lança no chão, no ângulo mais baixo que conseguiu.O choque foi brutal. Cavalos e cavaleiros tombaram, defensores foram projectados. O descendente de Elfos desviou-se mas levou a carga de um cavalo em cheio no escudo. Sentiu a sua lança penetrar no ventre do quadrúpede, que reflexivamente se encolheu e projectou o seu dono. Tal facto certamente salvou-o de ser decapitado. Contudo, não aguentou a pressão e foi projectado pela parte lateral da montada uns bons metros para trás.

O seu companheiro em posição anterior tombou igualmente. Atordoado, Eruntalon tentou levantar-se, mas escorregou na lama que enchia o vale, auxiliado pela cota de malha que se havia tornado cada vez mais pesada com a intensa chuva que caía. Apesar da vista turva, percepcionou a aproximação do cavaleiro, agora desmontado, enquanto esticou o braço esquerdo para pegar na sua espada. Os músculos queixaram-se do esforço e aquela fracção quase que era fatal! Levando um pontapé do adversário no peito, caiu novamente e ficou mais longe da arma. A visão tornou-se mais turva mas viu a sombra do seu inimigo a crescer exponencialmente. Por instinto sentiu algo duro à mão, elevando o que posteriormente percebeu ser o resto da haste de madeira da sua lança. Este não era sólido o suficiente para a pesada espada do seu adversário, e foi despedaçado em três partes com um só golpe. Mas serviu! A lâmina resvalou e mudou o suficiente de direcção para perfurar a espaldeira metálica do ombro esquerdo do Ohtar ao invés do seu coração, mas não o salvou de lhe ser inflingida uma forte dor aguda.

Simultaneamente, o opositor, visando poupar tempo a levantar a pesada espada para novo golpe, retirou uma faca da sua cintura para acabar com Eruntalon. Mas as suas intenções ficaram por aí. Quando a lâmina iniciou a sua trajectória descendente, uma seta perfurou o mediastino do Nainie, fazendo-o tombar. Eruntalon olhou para trás e viu o seu companheiro da linha interna que havia sido igualmente projectado, de joelhos e com uma besta nas mãos. Levantando-se, tomou o lugar que o comandante havia deixado vago na frente, pronto a suster a próxima carga. Poucos instantes tinham passado desde que o guerreiro havia levantado a sua lança, mas se um segundo é vital para os defensores, igualmente o é para os cavaleiros.

O comandante permitiu-se então relaxar uns breves momentos, pensando como a técnica dos opositores era apurada e como a sua superioridade numérica era problemática, a juntar à sua maior frescura física. No entanto, a movimentação estratégica dos mesmos era deficiente e a falta de serenidade destes davam aos seus homens uma hipótese de sobreviverem àquela batalha...

The Bridge of Khazad-dum -

Friday, March 13, 2009

Eruntalon - II

O vento fazia-se ouvir nas ervas do monte, deixando entrar poeira na entrada da toca. No túnel escavado por garras, um mamífero encontrava-se deitado, fitando e cheirando o exterior. Lá fora só escutava o vento. O túnel era fundo e propagava os sons, pelo que ouvia também as suas crias a mexerem-se e a ganirem de fome. Há dois dias que não comiam porque a caça havia sido infrutífera, situação que é normal para adultos mas não para a descendência com aquela idade.
O princípio da Primavera, como de costume, havia proporcionado o aparecimento de herbívoros mas desde há várias horas que algo de estranho se passava. Sons que o mamífero nunca ouvira ecoavam pelas montanhas onde vivia, vindos de Sul e aparentemente encontravam-se a assustar todos os animais, remetendo-os para as tocas. O seu parceiro tinha saído no dia anterior mas não havia voltado e como está a fêmea geneticamente programada, ficou a proteger as crias. Contudo, o sofrimento destas era cada vez mais audível. A "mãe", naturalmente, começou a sentir o seu instinto de alimentação cada vez mais a sobrepor-se ao da segurança dos filhos, fitando a erva no exterior como se estivesse indecisa. De repente cheirou-lhe a presa! O vento mudou subitamente de direcção, vindo agora de Sul, o que provocou um remoinho de terra perto da toca mas não o suficiente para o animal não cheirar...uma lebre! Instantaneamente correu para perto das crias e através de pequenos ruídos e do toque transmitiu aquilo que não podemos perceber, mas que provavelmente seria um aviso de que se iria ausentar. A progenitora voltou então para a entrada da toca, certa de que iria caçar. E deitou-se, jazendo nas sombras do pequeno orifício situado na base de uns arbustos, esperando ter contacto visual da presa. Primeiro cheirou-a, depois começou a ouvi-la. Estava muito perto, talvez a dez metros dali. De repente viu-a, uma lebre cinzenta de porte médio. Esperou que esta passasse a toca, de modo a apanhá-la desprevenida pelas costas. No entanto, os sons estranhos vindos de Sul intensificaram-se e a Lebre, assustando-se, iniciou uma fuga no sentido contrário, precisamente em direcção ao abrigo dos mamíferos. A predadora viu então a sua oportunidade e saiu da toca. Com um esguio salto, ladeou a poça de água que estava a poucos metros, herança da chuva que havia caído de noite.
Sentiu no pêlo o vento de uma tarde húmida, que trazia aqueles sons estranhos. Mas aquela raposa de belo pêlo ruivo só pensava em caçar! A presa, já assustada foi apanhada em contrapé. Tentou desesperadamente escapar da raposa fazendo um arco largo para ganhar velocidade mas a esta mordeu-a no dorso, junto da coxa direita. Contudo, o herbívoro era ágil e o ataque não foi suficiente. A raposa corria o seu máximo mas a lebre, apesar de ferida era mais rápida, circundando as árvores e arbustos enquanto fugia pelo único caminho livre, precisamente para Sul. A raposa, fatigada, deixou de correr volvidos 400 m., já vários segundos depois de perder o contacto visual com a presa. Porém, esta deixou um rasto de sangue cada vez mais abundante e a raposa sabia que seguindo-o iria dar com ela, morta ou moribunda.
O rasto seguia para de onde vinham os sons que a assustavam, mas aquela seria uma refeição importante para as crias e se não se apressasse outros caçadores ou necrófagos a roubariam. Assim, cheirando o rasto de sangue e caminhando contra o vento, dirigiu-se para Sul. Passou por uma colina, vendo as marcas das patas da presa cada vez mais próximas. Na colina seguinte o rasto de sangue adensou-se, mas certamente por pouco tempo já que começou a chover novamente. Apressando-se para não perder o odor e a pista visual, acelerou o trote. No sopé da terceira colina encontrou um pequeno ribeiro e a situação tornou-se mais complicada pois o rasto desaparecera. A chuva havia apagado o sangue e o cheiro da lebre tinha desvanecido naquele lugar húmido. Contudo, as raposas são astutas e aquela fêmea já tinha 8 anos de experiência num mundo exigente. Entrou no ribeiro cuja profundidade não era superior a 30 cm junto das margens, mas cujo caudal no centro era forte, facto que levou o animal a temer pela sua segurança. Farejou e deu voltas ao longo da margem. O curso de água era muito fundo para uma lebre o passar. Em seguida, fitou alguns seixos que se sobrepunham acima do nível da água, embatendo num fino tronco de azinheira que comunicava com a outra margem. Instantaneamente ultrapassou o ribeiro pelo tronco evitando a forte corrente e reencontrou marcas da presa.
Os sons estranhos estavam cada vez mais próximos mas reiniciou a perseguição com todos os seus sentidos alerta, sentindo a lebre perto. No fim desse terceiro cabeço encontrou a presa já moribunda, matando-a. Era pequena e ia ser devorada num ápice pelas crias, sendo que para a mãe não chegaria. Pegando na presa ia voltar quando o vento lhe trouxe um cheiro conhecido...carcaças. Sempre vindo de Sul, não mudava. A raposa cedeu aos seus instintos selvagens e maternais e com a presa na boca deu consigo a subir uma quarta colina, curiosa do que iria encontrar no vale que existia a seguir. Um, dois, três minutos passaram. A elevação era bastante íngreme mas o cheiro era cada vez mais intenso, assim como o barulho. Mais uns minutos volvidos, o quadrúpede deteve-se no cume da formação rochosa. Em frente, após um penhasco de várias centenas de metros, erguia-se um vale engolido pelas formações rochosas e inscaláveis daquela cordilheira. Este possuía duas entradas através de “corredores” abertos pela erosão na rocha da serra e costumava ser verde. Naquele dia mais duas cores predominavam: preto e vermelho!

1ª vitória

A melhor equipa do torneio ESEL ganhou o primeiro jogo por 5-3! No nosso grupo passam as primeiras duas das 5 equipas! Dia 17 vou finalmente marcar presença;), pelo que entretanto deixo um pequeno tributo aos meus companheiros de equipa!Aos maiores, um grande abraço!
- Equipa presente:
Miguel
Daniel
Luís
Luís Santos
Paulo
Carlos
Nelson

- Marcadores:
Paulo - 2 (lidera a tabela dos goleadores)
Miguel
Daniel
Luis

Thursday, March 12, 2009

Eruntalon - I

Hoje volto a recordar um post antigo: http://o-sexo-dos-anjos.blogspot.com/2007/06/eruntalon.html. Amanhã perceberão a razão! Saudações!

Wednesday, March 11, 2009

Revés

Ontem foi um dia bastante triste para a nação sportinguista, face à medíocre exibição frente ao Bayern. E ainda mais inadmissível acho o Paulo Bento à segunda vez numa semana(e que foi pior, não esquecendo as goleadas ante Barça e Real Madrid) não colocar o seu lugar à disposição. Seria a atitude certa e justa para com a direcção e principalmente os adeptos. Se o fizesse já sabíamos, e bem, que iria pelo menos ficar até ao fim da época, já que estamos na recta final e ainda há duas competições em jogo. Este homem já fez muito pelo clube mas face a esta humilhação devia ter um comportamento com o mínimo de humildade e honestidade para com a grandeza e história do clube. Por tudo isto, e enquanto faço horas para torcer pelo Porto (já sabem que para mim lá Fora tudo é Pátria, e além disso estamos cada vez pior no ranking) acho que é muito boa altura para rever este pequeno e belo resumo do que é a nação sportinguista: http://o-sexo-dos-anjos.blogspot.com/2007/11/scp.html. É sempre bom recordarmos que a nível mundial somos o clube com mais medalhas e vitórias em competições olímpicas, assim como o segundo clube com mais títulos europeus conquistados no conjunto de todas as modalidades(superado apenas pelo Barça). E a maior goleada em competições europeias de clubes é nossa: Sporting 16-1 APOEL Nicosia (18 -1 na eliminatória). Saudações!
Outros posts do sporting:http://o-sexo-dos-anjos.blogspot.com/search?q=sporting

Tuesday, March 10, 2009

Internet

Hoje deixo-vos uma explicação histórica e tecnológica interessante da evolução da Internet.

Monday, March 9, 2009

Definir rumos

Hoje o dia começou como acabou ontem, ou seja, não muito bem. Mas o futuro e o próximo passo pertence sempre a cada um. Pelo meu futuro que será certamente diferente, assim como o dos meus colegas que começa hoje também. Há que lutar!