União Zoófila e Associação Zoófila Portuguesa


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Ser Enfermeiro...

Wednesday, December 26, 2007

O Outro como Pessoa e o estigma

Hoje vou redigir umas palavras referentes a casos bem comuns do nosso dia-a-dia e que por vezes não reflectimos.
Ontem, como habitualmente, fui à missa, tendo calhado este ano ir à da fim de tarde, a qual, talvez por ser uma Segunda estava estranhamente um pouco vazia. Pouco depois de lá chegar, entrou para o banco de trás um grupo numeroso de jovens que identifiquei pelo seu tom de voz. Alguns minutos volvidos, entrou para o mesmo banco alguém que tinha uma higiene muito defeituosa em virtude do odor que emanava. Pensei logo que fosse um pedinte ou um sem-abrigo, o que seria o mais plausível na minha paróquia. Naturalmente não olhei para trás pois acho que é um acto que além de indelicado nada me interessa e que não justifica os meus intentos naquele local. Aquele odor característico naturalmente era muito forte, mas nada que a simples respiração oro-faríngea não resolvesse. Ao longo da missa vagamente ouvi o grupo de jovens queixarem-se entre eles da situação em voz baixa, mas não mudaram e bem de local por uma questão de princípios. Antes da comunhão, como de costume cumprimentei quem me rodeava. Primeiro a minha família, seguido das pessoas da fila da frente e em último da fila de trás. Segui o ciclo dos ponteiros do relógio "imposto" pela primazia da localização dos meus familiares, de modo que o pedinte (deduzia que o fosse) ficou para último lugar, a seguir ao grupo de jovens. Quando me virei efectivamente e foquei o Sr. reconheci um sem-abrigo que deambula e "reside" habitualmente na minha freguesia. Cumprimentei-o naturalmente, como já fiz noutros casos semelhantes. A cara de satisfação do Sr. foi de enorme expressividade. Mas o que há para contar desta cena vulgar foi o facto de apenas eu o ter cumprimentado, sendo alvo de grande receptividade pelo Sr. como seria normal. Fiquei naturalmente com a mão a cheirar mal, o que não me impediu de comungar e fazer o que tinha em mente até chegar a casa. Coisa que uma simples lavagem não resolvesse. É pena ver que à medida que decorreu aquele momento de confraternidade ninguém mais cumprimentou o Sr. Reparei também que os jovens ficaram admirados do meu acto. É triste constatar este episódio por quem frequenta uma celebração dominical ainda por cima no dia de Natal. Não pretendo julgar ninguém, quer como Pessoa ou o seu acto. Há muitas vezes questões que nunca podemos saber. Por exemplo se aqueles jovens fossem de seguida a uma festa naturalmente não quereriam ir a cheirar mal. Ou cada um tem dias piores. Cada um comete erros em relação ao que considera certo. Ou pode ter maior sensibilidade de foro físico, psicológica ou educacional a certos factores como ao odor, à imagem de descuido ou a relacionar-se, nem que seja vagamente, com este tipo de pessoas. E o Sr.? Será Pessoa portadora de doença mental, dependente da sua situação de rua e|ou substancias psico-activas? Será responsável pela sua situação? Recusará ajuda como muitos fazem? Terá insight ou juízo crítico? Não sei porque nunca contactei mais de perto com ele mas hipoteticamente poderá ser responsável e ter meios de melhorar a sua situação, e consequentemente, a "marginalização" seria menos censurável.
Muitos dos factores que referi não me afectam facilmente em virtude da minha personalidade e toda a vertente reflexional e comunicacional, empírica e teórica, que tenho e procuro aperfeiçoar na minha futura área e profissão laboral. E como consequência das minhas experiências e da própria personalidade, há uma coisa que valorizo bastante: o respeito pela Pessoa. Que infelizmente, atendendo ao que percepcionei, não houve por parte de outros. Também tenho de considerar o estigma social que existe em relação a estes indivíduos assim como para uma normal falta de sensibilização para certas situações relacionais e referentes a esse próprio estigma. Se bem que do ponto de vista da doutrina cristã foi uma situação censurável, não me cabe fazer juízos de valor, os quais não quero nem me interessa fazer. Porque também erro e pela existência de inúmeros factores desconhecidos(já acima referidos).Acima de tudo, interessa-me colocar esta situação à vossa reflexão, relativamente ao respeito pela Pessoa e ao estigma. Confrontem-nos com os vossos princípios e valores.Saudações!


Na sequência do que atrás referi lembrei-me desta música do Pedro Abrunhosa.


O número elevado de sem abrigos é elevado, muito mais do que as estatísticas indicam visto que há os fixos e os sazonais, que migram. A causa para vadiarem são inúmeras e muitas delas sobrepõem-se. Por vezes, o facto de ser uma Pessoa portadora de doença mental, muitas vezes com falta insight e juízo crítico (por exemplo uam pessoa em situaçãod e mania pode arruinar a sua vida financeira, social, familiar, etc.). Ou dependente da sua situação de rua e/ou substancias psico-activas, como os alcoólicos ou toxicodependentes. Muitas vezes as causas económicas são o factor predominante, com maior incidência na população idosa, realidade que tem vindo a aumentar em função da situação económica. Também há o jogo (recordo um sem abrigo da minha zona que foi piloto da Tap).E muito mais causas.
Não obstante a existência de várias organizações que tentam irradicar e/ou minimizar estes problemas,através da assistência de rua e do internamento nas suas casas para reabilitação psico-social, é certo que é uma realidade presente nosso país e facilmente constatável numa esquina. A dependência deste estilo de vida e principalmente o clima ameno que Portugal tem são aspectos fundamentais para o problema. São noções que retirei das minha curta experiência de voluntariado nesta área e no contacto com responsáveis destas organizações. Uma delas é a Comunidade Vida e Paz. Claro que há um estigma bem presente em cada um de nós em relação aos sem abrigo, semelhante ao que ocorre em relação à psiquiatria. Só apenas com bastante experiência nesta área desaparecem. E é um facto normal visto que há situações com que nos deparamos no dia-a-dia e que contribuem para este estigma. Por exemplo,além dos odores e da falta de higiene ou higiene precária, as situações incómodas na via pública e de segurança relacionadas com estes indivíduos ocorrem, mas muito menos do que pensamos. E depende muito da causa. Quem vadia por falta de recursos económicos não é normalmente julgado por nós por quem vadia por toxicodependência. Relembro uma situação muito simples no outro dia: ao passar de autocarro na "meia-laranja" estavam presentes equipas de saúde comunitária a distribuir seringas pelos toxicodependentes.Um familiar que viajava comigo inquiriu-me porque o faziam e expliquei-lhe sucintamente as vantagens e os contras que aquela medida tinha a nível de promoção da saúde, como epidemiológico, social, etc. Pelo menos os que me lembrei. Ele confrontou-me: "pois, acho bem. Mas agora para os diabéticos, muitos dos quais não são responsáveis pela sua situação, que trabalham e contribuem para a sociedade já não recebem seringas de graça.". Argumento lógico. Muitas vezes o estigma é alimentado por certas injustiças sociais inerentes à nossa sociedade. Pretendo aqui alertar para a reflexão referente ao estigma e para os sem-abrigo, realidade que podemos ajudar através do voluntariado e donativos materiais (bem mais acessíveis que os económicos). Porque muitas vezes há pequenos gestos que fazem toda a diferença a estas Pessoas. Quer em voluntariado ou num contacto do dia-a-dia. Saudações!

"Olhamos para eles e sentimo-nos incomodados.
Incomodados e impotentes.
Podemos aliviar a consciência com uma moeda.
Ou com comida.
Ficamos aliviados mas não curados.
Há qualquer coisa que continua a roer por dentro.

A culpa não é nossa.
Individualmente.
Se calhar nem deles.
Individualmente.

É bom que nos sintamos incomodados.
Será ainda melhor que façamos alguma coisa.
Alguma coisa significativa.
Alguma coisa que os alivie.
E também alguma coisa que evite o aparecimento de outros como eles
(eventualmente nós próprios)."

In:http://semabrigo.no.sapo.pt/

1 comment:

Tevez said...

como eu tinha no meus post do natal, e nestas alturas que damos mais valor e nos lembramos destas situaçoes especiais. temos d nos lembrar é mais vezes durante o ano.!

abrç!!